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Compactuar com os deturpadores do Espiritismo é um grave perigo

(Por Demétrio Correia)

Quando há muitos questionamentos em torno da deturpação da Doutrina Espírita, um grave perigo se aproxima.

É quando se esbarra nos estereótipos de "amor e bondade" dos deturpadores.

E quem são os deturpadores da Doutrina Espírita?

São aqueles que desfiguram o legado de Allan Kardec através de conceitos e ritos igrejistas copiados da Igreja Católica.

Os mais famosos deturpadores do Espiritismo são supostos médiuns, dotados de culto à personalidade e que servem mais para a idolatria religiosa.

Como médiuns, sua atuação é irregular, para não dizer inexistente, e tentam compensar isso bancando os dublês de pensadores, além de pretensos ativistas-filantropos.

Qualquer acusação de deturpação é rebatida com um virtual videoclipe com crianças pobres sorrindo, paisagens floridas, céu azul e músicas de doces melodias.

Pronto. O crítico da deturpação espírita se derrete, se derrama em lágrimas e os deturpadores são absolvidos.

Eles até são convidados a participar de um esforço de recuperação das bases kardecianas.

Como todo canastrão, os deturpadores logo aceitam e fingem que "querem aprender melhor" a obra kardeciana original.

Muitos críticos da deturpação caíram nesse conto de "sejamos fraternos" e aceitaram os deturpadores que nunca recuperaram de verdade os postulados espíritas.

Tudo fica nisso mesmo. Todos fingem que recuperaram o pensamento original de Kardec e depois se unem, "fraternos", pela deturpação igrejista, aceita sob mil pretextos e eufemismos.

O mais famoso deles é a "afinidade com os ensinamentos cristãos".

Essa desculpa esfarrapada permite que Erasto e Emmanuel sejam igualmente reverenciados.

Mas num país em que negros e pobres são capazes de reverenciar Jair Bolsonaro - que havia despejado comentários violentos contra os negros numa palestra numa instituição judaica (!) - , a postura "dúbia" do "espiritismo" brasileiro parece ainda mais natural.

O Brasil virou o país do absurdo, da incoerência, da inconsistência, em que uma boa parcela de pessoas têm uma posição masoquista sobre seus ideais de vida.

Acham que podem sofrer e serem prejudicadas e, ainda assim, serem "felizes".

Basta ter uma Bíblia ou um livro de Chico Xavier na cabeceira.

Quanta ingenuidade.

Tanto fora quanto dentro do "espiritismo" brasileiro, observa-se uma subserviência social gritante, de pessoas que aceitam que os detentores de privilégios e prestígios sejam impunes errando demais.

As mesmas pessoas que aceitam isso parece pouco se preocuparem consigo mesmas. Vivem a tragédia diária sem saber, mas se tem cerveja na geladeira pronta para consumo, tudo bem.

Infelizmente, isso é Brasil.

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