Faz sentido manter uma farsa por causa de "mensagens positivas"?

(Por Demétrio Correia)

Depois de tantas denúncias na Internet sobre Humberto de Campos, com base em análises sérias de conteúdos, os "espíritas" não desistem.

Uma publicação, a série "Grandes Temas do Espiritismo", da revista "Espiritismo & Ciência", insiste em continuar validando a obra do falso Humberto de Campos.

"Apesar de terem causado imensa polêmica, as mensagens psicografadas de Humberto de Campos (Irmão X), por meio de Chico Xavier, tornaram-se fundamentais para o desenvolvimento do Espiritismo no Brasil", diz o texto da capa.

Pura hipocrisia. É a consagração de um fake literário, num país de precário hábito de leitura que é o Brasil.

Com tanta desinformação, evidentemente que o falso Humberto de Campos se deixa passar, como uma "literatura paralela".

Mas se os brasileiros tivessem um hábito de leitura mais atenta, verificará que é uma grande farsa a "obra espiritual" atribuída a Humberto de Campos, ainda que pelo codinome Irmão X.

O hábito de leitura de livros cresceu em quantidade, mas continua ainda péssimo em qualidade.

Os livros mais vendidos são geralmente obras de youtubers, auto-ajuda, romances medíocres e livros de gente direitista e mitômana como os jornalistas reacionários.

Houve até os livros para colorir, que quase não têm texto e eram creditados à literatura de "não-ficção", risivelmente.

Ou então romances de vampiros, jogos de Minecraft, Pokemon Go etc.

Os únicos livros de qualidade que conseguem estar entre os mais vendidos se relacionam a fatores típicos do mainstream: prestígio do autor no meio intelectual, obra que inspira blockbuster no cinema, título exigido para o ENEM etc.

Ainda é muito raro o proveito qualitativo de leitura neste país.

E, além disso, as obras originais de Humberto de Campos, embora relativamente acessíveis na Internet, são difíceis de se obter nas livrarias.

Pois, se elas fossem mais acessíveis nas lojas, derrubaria o "Humberto de Campos" que Francisco Cândido Xavier inventou para produzir sensacionalismo.

E que gerou um grande problema na Justiça. Mas, pela seletividade habitual dos nossos juízes, terminou em impunidade.

Rico, religioso e político de direita quase nunca é punido. E Chico Xavier foi uma espécie de Aécio Neves da religião, praticamente intocável.

Como Aécio, Chico podia fazer das suas que ninguém mexia. E, se alguma ameaça neste sentido aparecia, haja coitadismo, lágrimas de crocodilo, o culpado se passando por vítima.

O suposto Humberto de Campos da "literatura espiritual" é falso, porque o estilo que se observa nos livros é completamente diferente.

Não há a qualidade textual que Humberto havia mostrado em obras publicadas em vida.

Os livros "mediúnicos" são prolixos, rebuscados, não têm a linguagem coloquial, mas apresentam uma narrativa melancólica que nunca foi a marca do autor maranhense.

As pessoas deveriam experimentar comparar as duas obras, a do Humberto deixada em vida e a suposta obra espiritual, para confirmarem a farsa.

Deixando de lado as paixões religiosas, que fazem muitos aceitarem qualquer blefe que apele para a "paz e fraternidade", se verá que a obra "espiritual" é uma farsa.

Em muitos momentos, o "espírito Humberto" parece falar e pensar igualzinho a Chico Xavier.

Deixemos de ser idiotas. Pensar igual Chico Xavier nada tem de nobre, vamos acabar com esse fanatismo deslumbrado e idiota a um ídolo religioso.

O que se percebe é que a suposta obra espiritual de Humberto de Campos, por fugir completamente do estilo dele, é falsa.

Até as semelhanças de estilo são muito raras, e têm qualidade de pastiche.

Apegados à figura adocicada de um ídolo religioso, um mito de "amor e bondade" concebido à maneira de um mocinho de novela da Globo, joga-se a coerência na lata de lixo.

Muitos preferem acreditar, tolamente, que o espírito, quando deixa o corpo, doa seu estilo para a "caridade" ou adere à "linguagem universal do amor", uma tolice feita para desqualificar questões relativas a estilos e individualidades.

As paixões religiosas são muito perigosas. Pode-se mentir em nome do amor e, com isso, se passar por "indiscutivelmente verdadeiro".

Quanto veneno está por trás do mel das palavras. Quanto blefe que se produz "em nome do amor", quantos farsantes se escondendo sob fotos de crianças pobres sorridentes.

A emotividade, quando excessiva, pode entorpecer as pessoas, bloquear o raciocínio, atrofiar a compreensão da realidade.

As pessoas levam gato por lebre por causa das irregularidades do "espiritismo" brasileiro e tudo fica nisso mesmo.

Daí que a planta mancenilheira, de bela aparência e frutos gostosos mas extremamente venenosa até para o toque humano, não existe no Brasil.

Mas o Brasil não precisa de mancenilheira. Tem o "espiritismo". Ele adoça os corações, mas entorpece e envenena as consciências humanas.

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