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Qual a relação de Edir Macedo e R. R. Soares com Chico Xavier?

(Por Demétrio Correia)

Qual a relação que os "bispos" neopentecostais Edir Macedo e R. R. Soares têm com o "médium" Francisco Cândido Xavier?

O leigo vai cair da cadeira e vai achar absurdo, sobretudo num dia como hoje.

Afinal, fazem 15 anos do falecimento de Chico Xavier e os chiquistas devem preparar sua inundação de lágrimas.

Como comparar o "iluminado médium" aos dois usurpadores da fé cristã.

Simples. Porque Chico Xavier também havia sido um usurpador.

Um católico ortodoxo que se tornou um dos maiores aproveitadores do legado da Doutrina Espírita.

A trajetória do "bondoso médium" sempre foi marcada de muita confusão e conflitos.

As pessoas devem abandonar essa teimosia infantil de achar que as confusões que envolveram o "médium" foram causadas pelos detratores.

Não foram. Foram causadas pelo próprio "médium" e seus parceiros nas empreitadas da deturpação espírita.

A imagem "limpa" que muitos têm de Chico Xavier tem relação, sim, com Edir Macedo e R. R. Soares.

A relação tem um nome: CONCORRÊNCIA.

E quem estava do lado de Chico Xavier era a Rede Globo. E a ligação da Globo com o "espiritismo" brasileiro não é mera coincidência.

Conhecida por manipular mentes da maneira mais traiçoeira possível, a Globo não ajudaria a difundir um mito de um "médium" de graça.

Como também os deturpadores do Espiritismo não recorreriam à Rede Globo apenas por um inocente objetivo de "obter mais visibilidade".

Devemos nos lembrar que Chico Xavier foi um mito fabricado pela Federação "Espírita" Brasileira para vender livros e enriquecer a cúpula da FEB.

Sim, essa verdade dói a muitos, mas é fato. O poder de Antônio Wantuil de Freitas se fortaleceu através do "médium", feito um popstar, mas também um arrivista com muito gosto e vontade.

Só que Wantuil criou um "Chico Xavier" marcado de muito sensacionalismo e confusões, e isso causou vários problemas.

Houve rompimento com Waldo Vieira e Chico teve que acompanhar também os dirigentes regionais, que romperam parcialmente com a cúpula da FEB, assim que Wantuil saiu de cena.

Daí a necessidade de um "espiritismo limpo", até escancaradamente deturpado, mas sem os apelos sensacionalistas demais e causadores de confusão da Era Wantuil.

E o que se fez com o mito de Chico Xavier?

Simples. Juntou-se a fome com a vontade de comer da FEB e da Rede Globo.

Para a Globo, foi ótimo criar o mito do "médium filantropo", uma grande farsa, porque sua "maior caridade" envolvia o duvidoso Assistencialismo e a exploração das tragédias familiares.

Primeiro, porque era ótimo domesticar a sociedade brasileira nos temos em que a crise da ditadura militar, no final dos anos 1970, provocava sérias convulsões sociais.

Segundo, porque pastores evangélicos da linha neopentecostal, dissidentes da Igreja Nova Vida, estavam usando a mídia, arrendando programas para angariar mais fiéis.

Seus nomes: Edir Macedo e R. R. Soares.

A Globo precisava se mexer, porque seu ascendente poder midiático na época da ditadura militar poderia ser reduzido a pó.

Teria que evitar o aumento do poder dos pastores eletrônicos. Pior: não impediu que Edir assumisse o controle acionário total da concorrente Record.

Precisava explorar um ídolo religioso, católico sem batina, mas também com ampla penetração em diversas correntes religiosas fora do Neopentecostalismo.

Afinal, é bom demais para ser verdade que um causador de confusões na deturpação do Espiritismo e na produção de obras fake de autores mortos seja de repente transformado em "santo".

O caso de Chico Xavier foi um caso de uma grande elaboração de um discurso engenhoso, que conseguiu enganar muita gente.

Xavier foi, ao mesmo tempo, um Luciano Huck e um Aécio Neves de seu tempo.

Adotava o pretenso bom-mocismo que hoje marca o apresentador do Caldeirão do Huck, incluindo o Assistencialismo que ajuda mais o benfeitor do que o necessitado.

E praticava desonestidades com o famoso político tucano, neto de Tancredo Neves.

A produção de psicografias fake, que não refletem os estilos originais dos autores mortos - até as eventuais semelhanças são desmentidas por diferenças grotescas - , e a deturpação da obra kardeciana são exemplos dessas desonestidades.

Mas, também, como Aécio, Chico Xavier tinha, e ainda tem, blindagem absoluta. Ninguém pega ele.

Afinal, se "solta o cano que não cai" ("só tucano é que não cai", em pronúncia rápida), "só espirre, tá, que não cai" ("só espírita que não cai").

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