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O perigoso discurso da "fraternidade espírita"

(Por Demétrio Correia)

O discurso de "fraternidade" pregado pelo "movimento espírita" parece lindo no seu enunciado.

Ele tranquiliza e agrada até mesmo quem contesta a deturpação da Doutrina Espírita.

Os deturpadores, com seu discurso "fraterno", tentam convidar a todos a absolvê-los do erro de desfigurar a obra de Allan Kardec.

Usam mil artifícios, como o "bombardeio de amor" das manifestações amorosas nos "eventos espíritas" e o Assistencialismo que é uma forma fajuta, mas espetacularizada de "caridade".

Criam um falso acordo que, à primeira vista, parece uma demonstração de prudência e equilíbrio.

Os deturpadores passam a interpretar "corretamente" a teoria de Allan Kardec e até a apreciar personalidades científicas e ativistas sociais autênticos.

Desta forma: nomes como Isaac Newton, Albert Einstein, Albert Schweitzer, Martin Luther King, Mamatma Gandhi e os irmãos Dom Paulo e Zilda Arns também são "razoavelmente apreciados".

Assim, os críticos da deturpação são aconselhados a "moderar as críticas" e restringir os questionamentos da deturpação espírita.

Se limitam apenas a questionar coisas mais genéricas, como as contradições entre os livros de Francisco Cândido Xavier em relação à obra de Allan Kardec.

Algo como dizer, por exemplo, que Chico Xavier errou ao definir datas fixas para o futuro, pois Kardec discorda desta tese.

Ou dizer que o fato de Xavier colecionar imagens de santos não é Espiritismo, mas Catolicismo.

Mas ir adiante e dizer que o Humberto de Campos das "obras espirituais" é fake, isso é arriscado, diante desse pacto entre deturpadores e questionadores.

Esse suposto pacto só serve para manter os deturpadores no poder.

Eles apenas "amenizam" a deturpação e, em seus textos e palestras, bajulam não só Kardec mas um elenco que inclui personalidades como o ateu Oscar Niemeyer.

Isso é muito perigoso e fez muito roustanguista de carteirinha ser visto como "rigorosamente fiel" ao legado kardeciano.

O discurso da "fraternidade" é perigoso porque há uma direção ideológica a essa ideia à primeira vista maravilhosa.

Esta direção não se dá pela paz ou pelo esquecimento das diferenças em prol de uma "concordância maior", a tal "fraternidade cristã".

Seria simplório se acreditarmos nisso. A realidade não condiz a tais posturas.

A "fraternidade" é apenas uma desculpa para os deturpadores continuarem dominando, e isso fez a "fase dúbia" se desenvolver de maneira mais perigosa.

Os deturpadores se tornaram "donos do Espiritismo" no Brasil e essa falácia de "sermos irmãos" é para que eles se mantenham no comando.

Da mesma forma, o "esquecimento das divergências" é apenas desculpa para que se aceitem seus erros graves e que os deturpadores saiam impunes de seus atos irresponsáveis.

Eles cometeram coisas da mais extrema gravidade.

Usurparam os mortos como se fossem donos deles, para inventar mensagens de propaganda religiosa.

Transmitem valores moralistas antiquados, defenderam o golpe de 1964 e a ditadura militar.

Reduziram o Espiritismo, no Brasil, a um sub-Catolicismo mais vagabundo.

Defenderam com muito entusiasmo J. B. Roustaing, mas hoje juram que são "fiéis discípulos de Kardec".

Diante de tantas coisas graves, que envolvem oportunismo, desonestidade e dissimulação, teremos que ser "fraternos" com os deturpadores.

Vamos botar a sujeira debaixo do tapete, por mais que ela signifique fedor e podridão.

Tudo porque "somos irmãos" e temos que consentir com o erro de uns ídolos e dirigentes religiosos.

Isso é mal, porque promover uma "fraternidade" assim não é ser generoso e caridoso.

É, pura e simplesmente, estar a serviço da vaidade e da ambição alheia.

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