Desinformação permitiu crescimento da deturpação espírita

(Por Demétrio Correia)

Os brasileiros parecem acreditar que se pode viver bem na desinformação e na burrice.

Escondem toda a ignorância por debaixo do tapete da Informática e da overdose de informação trazida pela grande imprensa.

Acreditam que se pode ser "ignorante" e "sábio" diante da posse de um repertório confuso de dados e ideias, que misturam ficções e realidade, estereótipos e fenômenos objetivos.

A grande imprensa desinforma de propósito, seja para manipular com mais facilidade a opinião pública, seja para atender a interesses comerciais estratégicos.

As pessoas se acostumam mal com ideias deturpadas, informações distorcidas, juízos de valor diversos, interpretações infundadas e abordagens preconceituosas.

Criam uma "realidade" a partir desse engodo fenomenológico.

O pior é que se cria uma "realidade" que parece "lógica", fazendo com que as pessoas se acostumem com essa miopia perceptiva e cognitiva.

Sua "lógica" é uma ilusão porque na verdade parece um emaranhado supostamente harmonioso de ideias improcedentes combinadas.

Isso favorece, por exemplo, que pessoas aceitem, sem reservas, a figura confusa do juiz Sérgio Moro, confundida com a de um policial ou de um delegado, atribuições que nada tem a ver com a de um juiz de Direito, com atribuições bastante específicas.

E isso também favorece a má compreensão que favoreceu o crescimento do "espiritismo" no Brasil.

A deturpação espírita acabou se sobrepondo até ao legado original de Allan Kardec, que passou a ser associado a crenças e práticas que ele nunca aprovaria.

Ele, por exemplo, não concordaria com as "colônias espirituais", porque ele mesmo admitiu que a ideia de um mundo espiritual é cercada de muito mistério.

Mas a deturpação espírita, à revelia da Ciência Espírita, concebeu até "mapas" de supostas cidades espirituais, em especial Nosso Lar, cuja localização é atribuída ao céu (?!) sobre o Estado do Rio de Janeiro.

As pessoas aceitam o "espiritismo" brasileiro e a mídia lhes ensina tudo errado.

Tudo parece coerente, mas a verdade é que, por trás da embalagem "limpa" e "atraente", há uma verdadeira podridão doutrinária.

Muitas confusões, conflitos e falsidades nos bastidores ou mesmo nos conteúdos das obras "espíritas".

E apelos falaciosos como o Assistencialismo (a suposta caridade que não traz resultados profundos e definitivos aos necessitados) e Ad Passiones (retórica baseada em apelos emocionais), são aceitos sem o menor questionamento.

As pessoas deixam tudo isso passar porque não têm a menor noção de tais irregularidades.

E, quando são informadas das mesmas, ainda se recusam a admitir.

A realidade delas é aquela construída pelo imaginário do status quo e da grande mídia.

Mesmo quando é para definir quem oficialmente deve estar associado à "bondade" e à "humildade".

Diante disso, as pessoas acabam se emburrecendo até na forma de ver a caridade.

E acabam se conformando e consentindo com sua inferioridade social, que faz o Brasil permanecer numa posição socialmente humilhante diante de outros países do mundo.

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