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"Espiritismo" e os mercadores da "boa nova"

(Por Demétrio Correia)

Ah, a palavra "espírita", veiculada pelos pregadores brasileiros, sobretudo os tais "médiuns"...

Frases com sabor de mel, que descem na garganta e agradam os corações.

Mas elas também anestesiam a mente, para que não haja questionamentos.

A palavra é gratuita? Ela é um "alimento para a alma"?

Ah, quantas turnês para vender livros e participar de congressos, figurar em colunas sociais, aparecer ao lado de autoridades e aristocratas.

Tudo isso os pregadores "espíritas" fazem, mediante o espetáculo da "boa nova".

Esses mesmos pregadores que, num texto, dizem uma coisa, e em outro, dizem outra, mas se acham "coerentes" porque falam em "amor e solidariedade"...

Pregam a "fraternidade" do Bom Senso com o Contrassenso, elogiando a "surpreendente atualidade" das ideias de Allan Kardec, num texto, e, logo em outro, exaltar o moralismo medieval de Emmanuel.

Esses pregadores não querem ser questionados. Na menor contestação, eles reagem, com rispidez muito mal disfarçada: "Falta de prece, falta de perdão".

Mas eles cometem desonestidade doutrinária e acham que podem fazer isso impunemente.

Eles mesmos provaram que não têm misericórdia, quando fazem apologia ao sofrimento.

"Vença a si mesmo", "abandone tudo na vida", "ame o sofrimento que terá bênçãos", dizem os pregadores "espíritas", com a firmeza taxativa de antigos imperadores romanos.

Mas quando são pressionados por críticas e contestações diversas, armam toda uma choradeira para dizer que são vítimas da "falta de misericórdia".

Quantos "médiuns" apelavam para o vitimismo quando eram questionados em suas atividades?

Os próprios Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco foram exemplos desse coitadismo fútil.

Nas ocasiões em que eram profundamente contestados, eles reagiam em silêncio e com aparente tristeza.

Chico Xavier e Divaldo Franco apelavam para isso, como se pudessem derrubar os adversários apenas posando de tristinhos e cabisbaixos.

Eles sempre foram hábeis manipuladores da mente humana, e se achavam capazes de vencer a tudo, apenas se servindo de qualquer apelo à emoção humana.

Por sorte, armadilhas como o Assistencialismo e o Argumentum Ad Passiones (falácia que incita a comoção e a fascinação humanas) ainda são novidade no Brasil.

A direita só começou a difundir o apelo tendencioso do Assistencialismo para definir o Bolsa Família do governo Lula.

E isso é feito porque a direita expressa um antipetismo doentio.

Vivemos numa sociedade conservadora que reprova governos progressistas que promovem inclusão social de verdade, enfrentando privilégios históricos das elites.

Mas que endeusa e define (cinicamente) como "transformadora" e "revolucionária" a caridade que ajuda pouco e de forma medíocre e paliativa.

Uma "filantropia" que serve mais para exibir a assinatura do "benfeitor", que festeja demais pelo quase nada que faz.

Uma "filantropia" que preserva os privilégios das elites, que até gostam dela porque podem despejar seu lixo vestuário nas doações às pessoas carentes.

Ou comprar aquelas marcas ruins de feijão, arroz, farinha de trigo e macarrão que são enviados para doação de mantimentos.

E aí dão medalhas para os "médiuns" e outros pregadores "espíritas" pelo espetáculo de belas palavras e pelo modelo retrógrado de "caridade", que trata o pobre como se fosse um vira-lata recebendo as migalhas da sociedade.

Aos "médiuns", as medalhas, aos pobres, as migalhas.

Essa é caridade "transformadora" e "revolucionária"? Com certeza, não. Isso é, apenas, Assistencialismo, que ajuda mais o "benfeitor" do que o necessitado.

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