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A pretensa mediunidade e a cumplicidade de um crime

(Por Demétrio Correia)

Esta trajetória é conhecida e comum em muitos casos. Crê-se que na quase totalidade dos mesmos.

Um suposto médium divulga mensagens atribuídas a autores mortos ilustres.

A maioria deles brasileira, mas há casos de autores estrangeiros, não só portugueses.

As mensagens são de apelo fortemente religioso, falam de caridade no sentido católico da palavra e dão recados aparentemente positivos.

O suposto médium tem uma instituição aparentemente de "caridade".

Aquela coisa: um punhado de pobres e doentes, em boa parte crianças ou idosos, alojados, recebendo Assistencialismo correto, porém mediano.

São resultados sociais inexpressivos de propósito, mas suficientes para garantir a alta reputação do "médium" que "ajuda muita gente".

O "médium" vira unanimidade. Suas "psicografias" revelam imagens agradáveis que todo mundo aceita.

Há irregularidades estilísticas aqui e ali, mas muitos autores haviam sido desconhecidos em vida, ou então pouco conhecidos entre as pessoas mais leigas.

Tudo vira "autêntico", afinal as mensagens pregam "o amor ao próximo" e a "paz em Cristo".

O "médium" recebe muitos aplausos, tem todo o apoio da sociedade, a Justiça está com ele, não há um incidente que o possa manchar.

Ele se torna um pretenso Cristo dos dias de hoje, mas vira unanimidade. Mesmo os mais céticos acreditam na autenticidade das mensagens e no poder da pretensa caridade.

O suposto médium recebe muitos prêmios. Medalhas, troféus, diplomas, condecorações, tudo isso se derrama em suas mãos, pelos vários cantos do país e do mundo.

São títulos de honoris causa aqui, de cidadão municipal acolá, de guardião da paz afora, que acabam lotando seu quarto junto aos demais prêmios.

O suposto médium é tão adorado que chovem declarações das mais piegas: senhoras dizendo "eu te amo", céticos se ajoelhando a eles e pedindo-lhes desculpa pelas antigas dúvidas.

Ateus fazendo ressalva às atividades ditas filantrópicas do suposto médium.

Mas tudo isso envolve fraudes mediúnicas e pouco empenho em caridade.

Há culto à personalidade, superfaturamento, muito turismo para palestras e premiações, pouco resultado filantrópico.

Problemas fáceis de se identificar e com provas, mas que nada é feito pela sociedade.

Até a "caridade" vira pretexto para blindar as demais irregularidades, sobretudo a deturpação dos ensinamentos espíritas originais.

O suposto médium pode manter durante muito tempo todo o aparato de credibilidade e unanimidade que recebe, sendo associado a ele a expressão da verdade e a prática da honestidade.

Mas a mentira bem construída nunca lhe trará o sossego de consciência que os verdadeiros honestos têm.

Há sempre o medo da fraude ser descoberta e toda a ilusão da aparente unanimidade ruir de repente.

Pode ser que nada aconteça com o suposto médium, se a sociedade conseguir blindá-lo completamente durante muito tempo.

Mas aí não é o apoio do bem que a sociedade lhe dá, mas a cumplicidade silenciosa e inconsciente de um crime, o da desonestidade e da cupidez, neste caso o uso da "caridade" para promoção pessoal.

E, além disso, a consciência ficará sempre pesada. Afinal, o suposto médium, ao praticar suas fraudes ditas mediúnicas e sua suposta caridade a lhe promover pessoalmente, sempre terá em consciência a leviandade de seus atos.

Daí a insegurança e o medo de tanta unanimidade ruir e se reduzir a pó. 

Enquanto puder reagir com vitimismo, até as piores confusões protegem o suposto médium.

Mas, quando tudo isso acabar...

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