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"Espiritismo" sepulta de vez a pretensa fama de "progressista"


(Por Demétrio Correia)

A cada dia o "espiritismo" brasileiro sepulta de uma só vez, e de maneira definitiva, a fama de "progressista", no sentido humanista desta palavra.

Isso porque o "progresso" que os "espíritas" brasileiros está muito mais próximo das abordagens ainda mais conservadoras do Positivismo de Auguste Comte do que da "lei de progresso" da obra espírita original.

O "espiritismo" é tão conservador quanto as seitas evangélicas "neopentecostais", que comandam a "bancada da Bíblia" do Poder Legislativo.

Defende até a criminalização do aborto em todos os casos, até em estupro.

Para os "espíritas", a vítima do estupro é que tem que se entender com o estuprador, talvez até convidá-lo para assistir ao parto.

Mas isso é fichinha. Os "espíritas" defendem a aceitação do sofrimento humano e pedem aos sofredores a renúncia ao máximo de suas necessidades possível.

Se puder respirar e beber água, está "bom demais". Isso se não for no Rio de Janeiro ou regiões semelhantes, pois o caso é beber água de bica e respirar ar poluído.

O "espiritismo" brasileiro, de tão vaticanizado, sucumbiu ao medievalismo.

Está defendendo as tais "reformas" do governo Michel Temer com um entusiasmo indisfarçado.

O salário está baixo? Reduza os gastos e se desapegue até à cesta básica. Se o caso é pagar as contas e ter casa, o jeito é matar a fome comendo papel.

Fala-se que os livros "espíritas" publicados no Brasil são um "alimento para a alma".

O patrão é opressor e mão-de-vaca? Perdoe ele, trabalhe mais e mais horas por dia, se for possível setenta vezes sete dias em cada semana.

Como ele é seu "irmão", existe a fraternidade do pescoço com a forca.

Há mais horas para trabalhar? É só dividir a mente entre o trabalho a ser feito, e é muitíssimo, com a prece. A cada um minuto de trabalho, uma pausa para cada segundo de Pai Nosso.

Perdeu uma encarnação inteira com uma porção de desgraça? Não importa, tem a outra encarnação.

O problema é que, se existe reencarnação, cada encarnação é única. O que você deixa de fazer na encarnação presente não tem garantia de que pode ser feito na outra encarnação.

Não serão as mesmas condições, as mesmas pessoas, as mesmas relações sociais, os mesmos recursos materiais.

Mas os "espíritas" pouco se importam com isso. Acham lindo que a pessoa morra cedo e deixe perdido para sempre um plano de vida que, na outra encarnação, precisará ser totalmente reorganizado.

Tudo isso revela o quanto o "espiritismo" é conservador e as sintonias políticas dizem muitíssimo a respeito.

A Federação "Espírita" Brasileira apoiou o golpe militar de 1964. O historiador Jorge Ferreira confirmou a participação de "kardecistas" na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que pediu a instalação da ditadura militar.

Em 1971, quando até o reacionário Carlos Lacerda se opunha à ditadura militar, Francisco Cândido Xavier dizia que o regime era a preparação de um "reino de amor" do futuro. E, pasmem, com o banho de sangue de muitos inocentes.

Quantos agrados recíprocos os baianos Divaldo Franco e José Medrado tiveram com Antônio Carlos Magalhães para realizarem seus projetos "espíritas".

Chico Xavier apoiando Fernando Collor de Mello na campanha de 1989.

Mas, em 1952, ele sonhava com um político mineiro que depois se personificou em Aécio Neves, que criou um prêmio, em Uberaba, chamado Comenda Chico Xavier.

Recentemente, Divaldo Franco apareceu com João Dória Jr. apoiando a sua intragável "farinata".

E João de Deus, no seu exame de rotina após uma operação contra o câncer, foi lá dar seu apoio e a Michel Temer e os votos para o "Fica Temer".

E agora Carlos Vereza, que interpretou o médico "espírita" Adolfo Bezerra de Menezes no cinema, também foi se encontrar com Temer, presidente que o ator apoia com muita convicção.

Vereza não é alguém que se possa chamar de progressista. É um crítico enérgico ao PT e membro de movimentos conservadores como o Instituto Millenium.

Ele recorreu a Temer para pedir o combate à "ideologia de gênero".

Andou preocupado com a ascensão de homossexuais e transexuais, e deu suas justificativas moralistas contra a causa LGBT.

"Estão brincando de Deus, mudando a biologia", "estão erotizando e traumatizando as crianças".

O próprio Chico Xavier dizia que o homossexualismo era um sintoma de "confusão mental" dos encarnados.

Dá pena quantas gerações de esquerdistas deram ouvidos a esses "espíritas", movidos pela imagem publicitária de crianças pobres, provavelmente tiradas de alguma agência de notícias estrangeira, ou, recentemente, a serviços como Getty Images.

Isso porque o "espiritismo" brasileiro, que aproveitou o que havia de mais conservador dos católicos, nunca foi progressista.

Chico Xavier defendia até o silêncio em vez da indignação com o sofrimento.

Quem é que espalhou essa ideia de que o "espiritismo" brasileiro é progressista?

Seu conservadorismo, convicto e rigoroso, salta aos olhos de tão evidente.

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