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Você ainda não percebeu a blindagem de um "médium espírita"?

(Por Demétrio Correia)

Você nunca ouviu falar do ditado "Isso é bom demais para ser verdade"?

Toda vez que você entra numa "casa espírita" e recebe um "bombardeio de amor", com um tratamento carinhoso e intimista demais, você não tem a menor estranheza?

Sinceramente, se em muitas famílias não há um clima de intimidade desses, é estranho que isso possa haver em instituições religiosas, que, como todas instituições, atuam de forma distanciada no atendimento às pessoas.

Se há um clima "intimista demais" que você não encontra na sua própria casa, é bom estranhar.

Da mesma forma, quantos apelos emocionais estão associados aos "médiuns", ou melhor, os anti-médiuns que jogaram no lixo a sua obrigação de mera função intermediária!

Mais uma vez, há o ditado "é bom demais para ser verdade", diante de tão alegada superioridade e de tão mal-disfarçado culto à personalidade que envolve esses "médiuns".

Afinal, se alguém vê perfeição em Divaldo Franco, deveria ter indagado sobre o que fez ele ao abrir espaço a um político decadente como João Dória Jr. divulgar um alimento duvidoso como uma tal "farinata" ou "ração humana".

Ou será que alguém seria tolo para deixar tudo isso para lá?

Em nome da reputação dos "médiuns espíritas", se joga a coerência, a ética, o bom senso e a lógica no lixo.

Tudo por causa de apelos emotivos que envolvem crianças sorridentes, paisagens floridas e céu azul ensolarado com nuvens brancas.

Como é fácil ser "médium espírita".

Cria-se obras fake atribuídas a autores mortos e elas são tidas como "verdadeiras", por alegações que vão do "pão dos pobres" à falácia igrejeira de que "somos todos irmãos".

Os "médiuns" se apoiam no Assistencialismo, que é aquela caridade frouxa, quando muito pontual e paliativa, que mais serve para a propaganda pessoal desses religiosos.

Cometem irregularidades mil, e saem-se bem em praticamente todas.

Vendo o caso de Francisco Cândido Xavier, difícil não lembrar do filme Prenda-me Se For Capaz de Steven Spielberg ou do livro VIPs, sobre aquele farsante brasileiro, Marcelo Nascimento.

No caso do filme de Spielberg, o filme se baseia na vida de outro farsante, Frank Abagnale Jr.. 

Abagnale lê-se "Abanhêio" foi um assaltante de banco que se passou por médico, advogado e co-piloto de uma grande companhia aérea, antes de fazer 18 anos.

Era também um falsário que falsificava cheques. Sua esperteza era tanta que o FBI chegou a recorrer a ele para investigar outros falsários.

Já Marcelo Nascimento, hoje empresário e recuperado de suas "aventuras", foi um estelionatário que se passou por parente de empresário, músico e até traficante e enganou até o colunista Amaury Jr..

Chico Xavier, para desespero de seus seguidores, não é muito diferente.

Católico ortodoxo, dotado de paranormalidade mais limitada do que muitos pensam - praticamente ela só o permitia "conversar" com o espírito da mãe e de um padre jesuíta - , praticou muitas e muitas confusões.

Usurpou várias personalidades literárias, através do livro Parnaso de Além-Túmulo.

Depois, criou um "espírito Humberto de Campos" muito diferente do original.

Enfrentou processo judicial no qual foi beneficiado pela seletividade da Justiça e pela incompreensão dos juízes.

Desfigurou uma religião, o Espiritismo, e foi visto como "autêntico", mesmo quando suas obras contrariam os postulados espíritas originais.

Pelo menos, no sentido de que Chico seria "aproveitado", não se sabe de qual forma, na recuperação das bases kardecianas originais.

Ele causou tanta confusão que seus seguidores não se entendem em certos aspectos, como a "profecia" da Data-Limite e a tese imbecil de que Chico era reencarnação de Kardec.

Mas foi considerado "santo", dentro daqueles procedimentos informais com base no "achismo".

Chico Xavier se passou por "muitos mortos" para defender pontos de vista ultraconservadores que se tornaram "universais".

Se promoveu às custas de tragédias familiares criando cartas fake que, não raro, são "assinadas pelo morto" com a caligrafia do próprio "médium".

Criou problemas com a alucinada "psicografia" de Jair Presente, decepcionando seus amigos, em 1974.

Mas, três décadas antes, havia conquistado a confiança do sensível ex-atleta e ex-ateu Arnaldo Rocha.

Com tanta saudade da esposa, precocemente falecida, Irma de Castro Rocha, a Meimei, Arnaldo, tomado de fascinação obsessiva, via como autêntica a "psicografia" e "psicofonia" fake que Chico fazia de sua finada mulher.

Ah, como Chico Xavier aprontou que Abagnale e Nascimento gostariam de terem feito.

Imaginamos se os dois pudessem se passar também por supostos médiuns e dublês de filantropos.

Estariam, pelo menos aos olhos da Terra, a poucos passos da santidade.

Como é fácil ser esperto sob o pretexto de "amor" e "caridade".

A blindagem chega a ser absoluta, a ponto de Divaldo Franco ficar "invisível" no caso da "farinata" de João Dória Jr., apesar de ter aparecido em fotos e ter seu nome creditado na camiseta do prefeito de São Paulo.

Se era difícil pegar Abagnale e Nascimento, é mais difícil ainda pegar um "médium espírita".

Ele pode pintar um quadro falso, atribuir a um pintor morto, isso aos olhos da polícia. O policial só se dirigirá a ele para abraçá-lo e posar para fotos amistosas.

Quanta facilidade. E tudo isso movido pelas paixões religiosas dos brasileiros de coração mole.

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