O caso do "Chico Xavier disse"

(Por Demétrio Correia)

Os seguidores de Francisco Cândido Xavier têm um hábito bastante curioso.

Há uma certa vigilância em torno da ideia de que "Chico Xavier disse", "Chico Xavier não disse".

Isso cria, não raro, tamanhos desentendimentos.

Como no caso da suposta profecia da Data-Limite.

Por terem sido relatos que se tornaram mais conhecidos pela declaração intermediada por Geraldo Lemos Neto, parte dos chiquistas não reconhece essa tese.

"Chico não disse isso", afirmam alguns seguidores que duvidam das "profecias" que anunciam catástrofes naturais e o extermínio do Hemisfério Norte.

Mas as "profecias" também procedem diante de declarações de Chico Xavier no programa Pinga-Fogo, da TV Tupi de São Paulo, em 1971.

Há também ele descreve "avisos" de Emmanuel no livro A Caminho da Luz, de 1939, que teriam "prenunciado" a "reunião" narrada no sonho da "data-limite" de 1969 (mas relatada em 1986).

Como "Chico não disse"?

Outros chiquistas afirmam que Chico Xavier era reencarnação de Allan Kardec, tese que não tem o menor fundamento, mas é defendida por eles com apaixonada convicção.

Pior: Chico Xavier nunca teria dito que era a reencarnação do professor lionês, e seus defensores no entanto acreditam que essa recusa era apenas artifício para evitar maiores polêmicas.

Mas como assim? Neste caso, "Chico não disse", mas o pessoal vai afirmar o não-dito?

Outro caso é que Chico Xavier, como um deturpador da Doutrina Espírita, não merece e nem deve ser visto como pessoa de alta confiabilidade.

Pelo conjunto da obra, ele se revela uma pessoa indigna de qualquer confiança. Ele é desmerecedor da credibilidade que muitos, de forma tão deslumbrada, lhe dão, até cegamente.

Se ele traiu o pensamento de Allan Kardec, de forma intencional, porque se assim não o fosse, tantos livros não teriam sido escritos nesse sentido, então não dá para confiar em Chico Xavier.

Esse alerta pode fazer muita gente chorar.

Mas se as pessoas deixaram de acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa na infância, na vida adulta podem muito bem começar a questionar a validade de Chico Xavier.

É doloroso, mas realista, admitir que não se pode acreditar em tudo que Chico Xavier disse.

Esse negócio de "Chico disse" ou "Chico não disse" dá margem a tantas abordagens dotadas da mais cega beatitude.

E tudo isso pondo crédito e confiança cegas a um deturpador da Doutrina Espírita.

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