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Paixões religiosas: orgias sem sexo, drogas nem dinheiro

(Por Demétrio Correia)

As orgias da carne e do dinheiro são perigosas e traiçoeiras à pessoa humana?

Sim, com toda e maior certeza!

Quantas armadilhas escondem o prazer cego pelo dinheiro, pelo sexo, recreios para o egoísmo e a cupidez humanos!

Mas o que não percebemos é que as paixões religiosas também são perigosas.

Sobretudo no "espiritismo" brasileiro, que deturpou o legado de Allan Kardec.

Tem-se o êxtase pelo sofrimento. Seja de si mesmo, seja do outro.

Tem-se a orgia da alma, a masturbação não-sexual das palavras bonitas.

Francisco Cândido Xavier foi e continua sendo o líder simbólico desses bacanais, onde o sensualismo mórbido se dá pelo deslumbramento da fé.

Transformam-se os jovens mortos em fetiches para adoração tão fútil, leviana e lasciva.

O êxtase orgiástico da suposta certeza de que eles estão bem no mundo espiritual, ignorando tantos aborrecimentos que espíritos têm quando sua encarnação é tão prematuramente ceifada!

Ah, quantas orgias se escondem na "pureza" das atividades "espíritas".

Não são mais as ruidosas canções dos bacanais do sexo, da bebida, das drogas e do dinheiro.

Mas são as canções lentas, suaves de letras bonitas, mas que também trazem um efeito orgiástico.

A adoração a Chico Xavier, deturpador máximo do Espiritismo brasileiro, chega ao ponto do mais mórbido sensualismo.

Que orgia não se esconde diante de foto-montagens com paisagens celestiais ou jardineiras com o rosto de Chico Xavier nelas inserido?

E que masturbação não se esconde com vídeos sobre o "médium" como um intitulado "Amor"?

Ah, como o deslumbramento religioso traz orgias mais levianas e perigosas quanto as dos antros do sexo, da fortuna e das drogas!

Quanto a deturpação do Espiritismo encontrou, como isca para os incautos, nesses simulacros de simplicidade e boas energias que glorificam o deturpador!

Não se tem o erotismo dos corpos humanos promíscuos, mas tem o sensualismo da glorificação a um ídolo religioso, num êxtase quase sexual!

Não se tem o entorpecimento das drogas, mas se tem o entorpecimento da mistificação religiosa e das crenças que deixariam o professor Allan Kardec envergonhado.

Não se tem as fortunas e os luxos da Terra, mas se sonha com as fortunas e os luxos simbólicos da vida espiritual, onde Jesus Cristo é reduzido a um Baco da fé e do misticismo.

Quantas tentações levianas o deturpador Chico Xavier simboliza, ele mesmo tão sedutor quanto uma sereia das lendas fabulosas!

Críticos da deturpação interromperam seu caminho pela metade, se esquecendo dos alertas de Erasto quanto aos cuidados diante de quem transmite "coisas boas".

A falta de vigilância falha, diante da figura hipnótica de Chico Xavier.

Cai-se numa perdição igrejista, num sub-Catolicismo a que se reduziu o Espiritismo no Brasil.

Que, em nome da fuga de uma ilusão, cai-se na outra ilusão.

E isso faz com que pessoas fiquem felizes vivendo sob desgraças.

Chico Xavier já criou um ambiente orgiástico "do bem": as "colônias espirituais".

Que lembram condomínios de luxo dos anúncios de imobiliárias, com parque, piscina e árvores frondosas.

As orgias que deixamos de ter na Terra são "compensadas" pelas orgias da alma, tão perigosas, tão traiçoeiras.

Entra-se em transe, chorando à toa, sem necessidade, numa comoção induzida e manipulada.

Entra-se em transe, com olhos fechados, na cegueira das paixões da religião e do misticismo.

Quantos bacanais se fazem e poucos percebem.

Pelo menos, nas orgias do sexo, do dinheiro e das drogas, as trevas se mostram sem um feixe de luz.

Nas orgias da fé, as trevas se escondem por uma pretensa luminosidade que mais cega do que permite ver.

As orgias materiais, pelo menos, se mostram sinceras no seu mal.

As orgias místicas se tornam mais perigosas, porque se impõem como se parecessem o contrário do que realmente são.

E as pessoas acabam sendo seduzidas e entorpecidas da mesma maneira, com os mesmos devaneios e ambições, desta vez reservados para o "outro lado".

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