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Quando a bondade se reduz a um sacramento religioso

(Por Demétrio Correia)

As pessoas deveriam rever severamente seus conceitos de bondade.

Veem a bondade como um mero rito religioso, um simples sacramento.

Acabam caindo em muitas ilusões.

Como a de exaltar um filantropo não pela quantidade de benefícios reais que trouxe, mas pelo prestígio religioso que acumula.

Essa incompreensão do que é bondade, caridade etc faz com que se aceitem os deturpadores do Espiritismo, surdos aos alertas do espírito Erasto.

Erasto disse, em mensagem publicada em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, para tomarmos muito cuidado com as "coisas boas" que os deturpadores da Doutrina Espírita trazem.

Isso porque, por trás delas, há todo um esforço de lançar ideias levianas e crenças obscurantistas.

O pessoal fica exaltando figuras como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

Esquecem que Chico Xavier e Divaldo Franco são deturpadores dos mais perigosos e traiçoeiros do Espiritismo.

Eles lançam "coisas boas" porque querem inserir nos seus seguidores crenças absurdas como "colônias espirituais" e "crianças-índigo", das quais não há suporte lógico nem base científica.

São fantasias marcadas pela idealização das paixões humanas.

Divaldo Franco, então, é erroneamente visto como "intelectual", "filósofo", "pedagogo" e "cientista", com uma roupagem mais verossímil que a de Chico Xavier.

Há quem, ingenuamente, ache que Divaldo Franco é "kardeciano de verdade".

É gente sem observação e movida pela emotividade mais fraca e vulnerável.

Os brasileiros, em sua esmagadora maioria, não entendem o legado original de Allan Kardec.

Praticamente conheceram o "espiritismo" ao saírem da missa católica.

E interpretam a Doutrina Espírita como se estivessem mostrando o que aprenderam no Catecismo católico.

A visão de bondade, tão exaltada por essas pessoas, dentro de uma simbologia ideológica que mostra crianças pobres sorrindo e fundos musicais piegas, é na verdade preconceituosa.

As pessoas nem querem saber dos beneficiados, mas do prestígio do suposto benfeitor.

É algo que soa marqueteiro, midiatizado, coisa de novela da Rede Globo.

E aí os "espíritas" tentam argumentar que "qualquer um pode praticar bondade".

Mas eles estabelecem conceitos igrejeiros de "bondade", são restritivos em suas receitas, sobretudo quando é para aguentar desgraças e consentir com o abuso e o arbítrio alheios.

Esquecem que o sentido de bondade varia conforme o contexto.

Às vezes somos bondosos com uns mas somos malvados com outros.

Somos submissos a outrem que nos maltrata, e somos prejudicados. Mas agradecemos a Deus pelo próprio prejuízo.

A "bondade" se reduz a um ritual de fé, mesmo aplicado a qualquer situação cotidiana.

E mesmo quando é para o marido servir à mulher, na sua rotina diária.

Não é uma bondade espontânea, mas subordinada aos caprichos da fé e do dogmatismo.

Praticar uma "bondade" assim nunca fará alguém se tornar espiritualmente mais elevado.

Pelo contrário, essa "bondade", por ser tendenciosa, ainda que pareça "espontânea" e "ampla" aos olhos dos incautos, será um ponto inútil na evolução de uma pessoa.

Ela serve mais para a ilusão de atribuir superioridade espiritual sob o selo da instituição religiosa.

E isso está mais a serviço das paixões religiosas e dos caprichos mundanos por elas movidos do que por qualquer preocupação em beneficiar o próximo.

O benefício ao próximo acaba sendo apenas "um detalhe", a alimentar o prestígio religioso do suposto benfeitor.

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