"Espiritismo" prega que todo mundo vire "coroinha" na "pátria espiritual"

(Por Demétrio Correia)

Muito estranho o "espiritismo" brasileiro.

Jura de joelhos que é "rigorosamente fiel" a Allan Kardec e mantém "respeito absoluto" aos seus postulados.

Mas o que se vê é o contrário. A lição de Kardec desprezada e o igrejismo extremado praticado ao ponto da maior pieguice.

Mediunidade de faz-de-conta, em que as mensagens "espirituais" vêm da mente do "médium" e fazem propaganda religiosa.

O roteiro é o mesmo, variando as palavras e os contextos. Afinal, tem que apelar para informações "diferentes" e lá vão a "leitura fria" e a pesquisa bibliográfica para ajudar nos dados pessoais de cada morto.

Mas é a mesma narrativa: "morri, fui para algum vale sombrio, fui socorrido e levado para uma colônia espiritual, me ensinaram o pensamento de Jesus, fiquei bem e peço para vocês se apegarem à fé religiosa".

Pura mensagem de propagandismo religioso.

Pela visão dos "espíritas", todo mundo pode dizer a mesma mensagem: do Papa João Paulo II a Chuck Berry.

Tudo no mais fluente português, como se todo mundo fosse brasileiro.

E todo mundo parecendo coroinha de igreja, pedindo a "união pela fraternidade em Cristo".

Ou talvez, no jargão católico: "no Cristo" ou "em Cristo Jesus".

Isso, além de sugerir a catolicização do "espiritismo" brasileiro, soa como um etnocentrismo religioso.

Ou melhor, um religiocentrismo.

Ateus, agnósticos, evangélicos, muçulmanos, umbandistas, todos viram "espiritólicos" (nome dado a quem professa o "espiritismo" catolicizado que se faz no Brasil e, às vezes, em outras plagas).

Todos se unem na "fraternidade no Cristo".

Todos "falam" como coroinhas de igreja, até inventam que tinham outras crenças porque "desconheciam" o valor dos "ensinamentos cristãos".

"Ensinamentos cristãos" é eufemismo para conversão aos postulados católicos muito mal escondidos no tapete vermelho do "espiritismo" brasileiro.

Isso em si não revela exemplo algum de evolução social, muito pelo contrário.

Revela, isso sim, um proselitismo religioso, não bastasse o caráter duvidoso das "mensagens espirituais" que em vários aspectos contradizem a personalidade dos mortos alegados.

Portanto, isso soa mais como propaganda do "espiritismo cristão" do que de qualquer mensagem em prol da paz e da solidariedade. E só serve à deturpação da Doutrina Espírita.

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