O terrível juízo de valor dos "espíritas"

(Por Demétrio Correia)

Além da apologia às desgraças humanas, que os "espíritas" tomaram emprestado do Catolicismo a Teologia do Sofrimento, eles também apresentam um vício muito grave.

É o juízo de valor.

Se valendo da suposta apreciação da vida espiritual e da reencarnação, noções que, na verdade, são precariamente compreendidas, os "espíritas" costumam culpabilizar as vítimas.

Se a pessoa sofre, é porque está em "reajuste espiritual" e cumpre "resgates morais".

Se a pessoa não conseguiu realizar uma oportunidade de vida, é por suposto fatalismo: essa oportunidade "não era para essa pessoa".

Muitos sofredores reclamam que só conseguem oportunidades erradas na vida, enquanto as certas lhes escapam como água caindo pelo ralo.

E o que os "espíritas" fazem?

Alegam que é nas oportunidades erradas que estão as "oportunidades certas" para a evolução espiritual.

Os "espíritas" distorcem a máxima de "Deus escreve certo em linhas tortas".

Muitos infortunados reclamam não pela desilusão que sofrem, mas pela falta de proveito a ponto deles serem escravos das ilusões dos outros.

Pessoas que aceitam abrir mão até dos vícios do sexo e do erotismo barato, mas depois de frequentarem atividades "espíritas", passaram a atrair para a vida amorosa mulheres que justamente representam aquilo que eles querem abandonar.

Os "espíritas" parecem iludidos com o suposto contato com as "esferas superiores" tidas como "administradoras" das "casas espíritas".

Esses "administradores" são jesuítas, o que influi na conduta confusa e conservadora dos chamados "centros espíritas".

E isso reflete tanto no mau agouro que representam para frequentadores pouco alinhados com esse conservadorismo astral quanto no juízo de valor que seus membros fazem.

Certa vez, um cidadão foi recorrer ao auxílio fraterno para reclamar de um problema amoroso.

O rapaz se queixava de não conseguir atrair uma mulher de sua afinidade.

O entrevistador, provavelmente homofóbico, achou que o paciente era gay e, dando um conselho irônico, insistiu que ele deveria "assumir" esse lado.

Embora o entrevistado tentasse justificar que não era sua opção o homossexualismo, o entrevistador insistiu, como se fizesse um juízo de valor.

Isso é terrível.

Os "espíritas" acham que têm o caminho curto para o Céu.

Se envaidecem por estarem supostamente em contato com o além-túmulo.

Mal sabem que muitos "espíritas" vivem na caverna de Platão, pensando que suas fantasias pessoais são manifestações dos "planos astrais".

De tanta deturpação, o "espiritismo" brasileiro virou uma bagunça, afastando-se dos conselhos nem sempre agradáveis do mestre Allan Kardec.

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