Pular para o conteúdo principal

Paixões religiosas e a comoção como entretenimento

(Por Demétrio Correia)

O que faz serem aceitas as deturpações do Espiritismo no Brasil são as paixões religiosas.

Ignoram-se os alertas de Erasto, espírito que viveu nos tempos do chamado Cristianismo primitivo, de que devemos tomar cuidado com "coisas boas" e "mensagens de amor" trazidas por mistificadores.

Em vez disso, o "amor" vira desculpa até para quadros falsos tidos como "mediúnicos".

O Brasil tornou-se o único país em que se pode enganar "por amor".

É onde os deturpadores da Doutrina Espírita vão logo correndo se esconder por trás de crianças pobres e velhinhos doentes para se defender.

É a alegação de que, por eles praticarem suposta filantropia, aceita-se a deturpação.

E tudo vira um espetáculo de "palavras belas" seja em livros, palestras, seminários, congressos, vídeos etc.

Virou um entretenimento fácil o da comoção diante de mensagens de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco.

O derramar de lágrimas sem motivo, por causa da mera diversão às custas dos sofrimentos dos outros.

Exploram-se dramas pessoais de gente que perde muita coisa e, com dificuldade, vence na vida e as plateias se divertem com esse marketing da superação.

Os sofrimentos humanos são transformados em dramalhões da vida real para entreter as pessoas, sob o pretexto da religiosidade.

E aí haja lágrimas, diante da orgia litúrgica dos eventos "espíritas".

É como se fosse uma masturbação pelos olhos.

A comoção humana reduzida a uma diversão, um espetáculo circense.

Isso é apenas um aspecto das paixões religiosas que ainda seduzem muitos brasileiros e não são exclusivas do "espiritismo".

As paixões religiosas, inclusive, estão sendo introduzidas até em assuntos não-religiosos.

No Rio de Janeiro, em 2010, uma simples arbitrariedade da prefeitura municipal de colocar diferentes empresas de ônibus sob a mesma pintura, a pintura padronizada, foi adotada com todo o messianismo tecnocrático inspirado no endeusado arquiteto e político paranaense Jaime Lerner.

Além da divinização de Lerner, medidas como colocar ônibus com ar condicionado e frotas de articulados (BRT) foram promovidas como supostos milagres.

O resultado foi um desastre e se fala em remover a pintura padronizada que submetia empresas particulares a um visual imposto pelo poder estatal.

Em outros casos, se "religiosiza" também figuras como Jair Bolsonaro ou fórmulas de valor duvidoso na mídia, como a experiência da FM pop Rádio Cidade no rock, desastrada mais divinizada.

A paixão religiosa em muitos casos transforma os internautas em "zumbis".

Eles se tornam capazes até de divinizar nomes do hit-parade estrangeiro que tocam no rádio ou meras celebridades que visitam o Brasil.

Isso é terrível, porque o Brasil acaba virando um país de beatos, que exportam a emotividade e o deslumbramento religioso para assuntos laicos.

Qualquer bobagem cria comoção entre as pessoas, e além disso se vê, nas redes sociais, um clima quase hipnótico de concordância bovina.

Elogios vagos, adesões submissas, comentários superficiais de concordância, e isso em relação a fenômenos, medidas e decisões que não são tão valiosos assim.

E que, no "espiritismo", permite-se que se salvem os deturpadores até quando se faz críticas à deturpação.

São as paixões religiosas que travam o país, com suas orgias de fé e devoção que levam ao fanatismo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O "espiritismo" apoia Jair Bolsonaro?

(Por Demétrio Correia)
Um grande perigo ronda o Brasil.
É a ascensão de grupos fascistas, que são tomados de emoção cega e histérica.
É o lado selvagem da emotividade exagerada, que em aspectos mais dóceis se vê nas atividades do "espiritismo" brasileiro.
A ascensão de Jair Bolsonaro, ex-militar que segue a vida política como deputado federal, é algo que se tem que preocupar.
Sobretudo pela horda de fanáticos que não medem escrúpulos para impor suas opiniões.
O Brasil vive um perigo de ver a democracia sair de suas mãos e de sua bandeira ser suja pelo suor fedorento de direitistas entreguistas.
O Brasil se reduzirá à velha condição colonial anterior a 1822, e de forma piorada, apesar dos avanços tecnológicos dos últimos anos.
Haverá apenas mudança de contexto, até bem pior.
Pois não se terá exatamente o sistema de capitanias hereditárias como se víamos antes.
Teremos coronelismos locais e um presidente ditador ameaçando o povo brasileiro.
A situação é ainda mais preocupante…

"Espiritismo" cofirma seu apoio ao governo Michel Temer

(Por Demétrio Correia)
O jornal "Correio Espírita" veio com uma "pérola" do "espiritismo" brasileiro.
Assim, na cara dura, o periódico anuncia que a tal "Pátria do Evangelho" já foi inaugurada.
A desculpa é que as dificuldades e conflitos extremos em que vive o Brasil seriam "diagnósticos" de males que afligem os brasileiros há décadas.
Segundo o periódico, isso criaria condições para o "despertar dos brasileiros" por um "ideal de amor e fraternidade".
Seria também uma propaganda para tentar salvar Francisco Cândido Xavier, o maior deturpador que maculou gravemente a Doutrina Espírita no Brasil e no mundo.
Sabe-se que Chico Xavier difundiu esse papo de Brasil como "coração do mundo" e "pátria do Evangelho".
Não era uma ideia original.
Ela se inspirou no pretenso profetismo de Jean-Baptiste Roustaing no livro Os Quatro Evangelhos e adaptou ao clima ufanista do Estado Novo.
Mas ela também foi prec…

Um "Cruz e Sousa" fake trazido por Chico Xavier

(Por Demétrio Correia)
Pioneiro dos fakes, Francisco Cândido Xavier iniciou sua trajetória arrivista com um livro de poemas "do além", Parnaso de Além-Túmulo.
O livro se comprova uma coleção de pastiches literários, em muitos casos parecendo verdadeiras paródias, mas que a paixão religiosa deixou passar como "obra autêntica da espiritualidade superior".
Sim, a paixão religiosa, essa orgia sem sexo e nem dinheiro, mas tão mórbida e voltada para os gozos "do outro mundo", tão levianos e lascivos.
Sabe-se que Chico Xavier não realizou os pastiches sozinho e ainda se há de analisar as verdadeiras razões desse embuste literário, sem sucumbir à paixão religiosa que sempre protegeu o anti-médium mineiro.
Aqui vamos comparar um poema de João da Cruz e Sousa (1861-1898), poeta simbolista brasileiro, e um poema do suposto espírito, publicada na referida obra "mediúnica".
À primeira vista, os poemas são idênticos em estilo e mensagem, mas cabe aqui tomar …