A mania de argumentar intelectualmente ideias sem nexo

Há para os "médiuns" se sobressaírem de forma descomunal, como aberrações que se tornam centro de atenções de um espetáculo sensacionalista.

Os "intelectuais de sofá" tentam dizer que os "médiuns" assim se comportam porque são dotados de "missões divinas próprias".

No Brasil, existe uma grande mania.

Das pessoas tentarem usar argumentos intelectuais para coisas nada intelectuais.

Tem sempre aquele cara que, nas redes sociais, quer dar desculpas "nobres" para causas tolas ou até mesquinhas.

É uma espécie de chato pedante.

Um sujeito que insiste sempre em argumentar, se aproveitando que o valor que ele acredita é geralmente defendido por "gente importante".

No "espiritismo", doutrina tida como "esclarecedora" mas que se revela preocupantemente obscurantista, isso é ilustrativo.

O "espírita" tem explicação para tudo.

O "espiritismo" é catolicizado, por causa das "afinidades" com os "ensinamentos cristãos".

A caridade é pouca, porque os "médiuns" fazem "o que podem" e encontram "barreiras no caminho".

A mensagem "espiritual" destoa do estilo pessoal do morto porque ele passou a falar "a linguagem universal do amor".

A pessoa sofre porque "está tendo o que merece".

O "médium" acusa o pobre coitado de "ter sido tirano" em outra vida porque "falou com as almas do além".

Tudo isso na base do achismo, mas dentro de uma roupagem de argumentos não muito consistente, mas persistente.

O pior argumentador não é aquele que faz uma explicação prolongada.

É aquele que se desespera sempre em argumentar e fazer réplicas o tempo inteiro, na esperança de ficar com a posse da verdade.

Pouco lhe importa que ele defenda uma ideia sem pé nem cabeça, ele tem argumento para tudo.

Se a coisa não é aquela maravilha, ele diz que é "melhor do que nada".

Se a coisa é ruim, ele diz que "sacrifícios são necessários".

Se a coisa perdeu o sentido, ele tenta dizer que tal constatação "está equivocada".

Se questiona-se demais sobre algo, ele alega "overdose de raciocínio".

Sempre assim. E o sujeito tenta dar uma de sábio, com mensagens longas ou "bem elaboradas", tentando convencer de todo modo, no esforço vão de ficar com a palavra final.

Enquanto isso, a gente vê que a realidade não é como ele pensa.

Um desses "intelectuais do sofá" foi defender o risível título de "maior filantropo do país" que Divaldo Franco recebeu do "achismo" da Rede Globo de Televisão.

Sabe-se que a Mansão do Caminho, o empreendimento de Divaldo, não ajudou, em 65 anos de existência, sequer 1% da população de Salvador.

Imagine então em dimensões nacionais. Pura gafe!

Mas o carinha foi argumentar nas redes sociais que essa porcentagem era feita para "diminuir a importância de um grande nome religioso".

Ele estava preocupado mais em proteger a reputação de Divaldo. Pouco importam os benefícios, a "caridade" vale pela fama do "benfeitor"!

Sendo assim, não precisaríamos sequer visitar as "casas de caridade", basta botar o "benfeitor" na vitrine da entrada e, pronto.

Se a "caridade" não vale pelo número de beneficiados, então não é caridade.

Mas as pessoas vivem tomadas pelas paixões religiosas, que pioram no caso do "espiritismo".

Porque o "espiritismo" tem mania de se achar uma religião "intelectualizada", quando se vê que ela está cada vez mais medieval e mais obscurantista.

E aí seus seguidores tentam argumentar tudo. E isso parte de seus próprios ídolos.

O "médium" João Teixeira de Faria, o João de Deus (apadrinhado pela reacionária revista Veja, que lhe deu capa certa vez), inventou o argumento de por que ele não ter feito autocirurgia.

"Barbeiro corta o próprio cabelo?", perguntou, de forma malandra e oportunista.

Um argumento sem pé nem cabeça, mas, para muitos, "bastante filosófico".

Ah, mas há mais de 50 anos, o médico Leonid Rogozov fez uma autocirurgia em situações delicadas, precisando apenas de dois assistentes não-médicos para fornecer objetos solicitados por ele ou para segurar um espelho para o médico fazer operação de apendicite em si mesmo.

Foi uma operação delicada e sob risco de morte. e que saiu bem sucedida.

Rogozov só morreu de velhice, décadas depois.

O "supercurandeiro" João de Deus nem para chamar o espírito de Rogozov para lhe ajudar.

E depois a gente critica os "espíritas" e seus seguidores não gostam.

E vão mais uma vez argumentar "intelectualmente" sobre ideias sem sentido.

Haja paciência...

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