Brasil não enxerga o mal de certas armadilhas

(Por Demétrio Correia)

O Brasil é um país que não consegue perceber o perigo de determinadas armadilhas.

Conceitos que, no exterior, são definidos como problemas graves, aqui são vistos positivamente.

Para piorar, enquanto os intelectuais estrangeiros revelam a preocupação séria com tais perigos, os intelectuais do Brasil os mencionam como coisas positivas, saudáveis e modernas.

Há, por exemplo, a overdose de informação, que vários teóricos da Comunicação definem como um processo perigoso para o conhecimento humano.

Aqui ele é visto como sinônimo de liberdade e esclarecimento, agilidade e interação.

No exterior, a sociedade do espetáculo, com sua preocupação com as futilidades, é vista como um perigo para a compreensão da natureza humana com a exaltação de personalidades sem talento nem relevância.

Aqui ela é vista, até pela comunidade acadêmica, como sinônimo de diversão, descontração e até mesmo de transgressão comportamental.

A glamourização da pobreza é algo que preocupa os mais renomados pensadores do mundo inteiro, exceto no Brasil.

Aqui a glamourização da pobreza é vista como uma pretensa autoafirmação das classes populares.

Vide o "funk" que, pelo jeito, é a futura trilha sonora do "Coração do Mundo", já que seu ufanismo supostamente messiânico segue este objetivo.

Aliás, há também outros perigos de âmbito religioso.

O assistencialismo, por exemplo, é um tipo de ajuda superficial que só serve para promover o suposto benfeitor, enquanto os benefícios, quando existem, são apenas pontuais e escassos.

É o assistencialismo que consiste na "caridade" praticada aqui pelo "espiritismo", com a ideia mentirosa de que essa "filantropia" transforma as pessoas.

Se desse realmente, o Brasil seria outro país e não esse caos beirando a um desmantelamento total da democracia.

Outra armadilha, o Argumentum Ad Passiones, ou apenas Ad Passiones, é reconhecidamente um tipo de falácia.

Sua forma mais radical e extrema, o "bombardeio de amor" (love bombing), é ainda considerada mais perigosa.

Mas é o Ad Passiones e o love bombing que protegem o "espiritismo" de qualquer contestação.

Isso é grave. Muitos que questionam a deturpação da Doutrina Espírita param no caminho por causa do "bombardeio de amor".

Ficam com medo de questionar os "médiuns" dotados de culto à personalidade, por causa da "aura de bondade".

Isso mostra o quanto o love bombing é uma forma de intimidar as pessoas pelo discurso que forja uma falsa benevolência e uma emotividade exagerada e envolvente.

Lá fora, o love bombing é reconhecido como um recurso psicológico muito traiçoeiro, capaz de dominar e manipular as pessoas.

No Brasil, porém, o love bombing é "prova inconteste de amor, bondade e humildade".

Ah, quanta ingenuidade vive o nosso país, diante de tantas armadilhas que prejudicam a humanidade.

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