Filósofo Sócrates reprovava sofistas, semelhantes aos "espíritas" de hoje

(Por Demétrio Correia)

O filósofo grego Sócrates (c. 469-399 a. C.) é um dos primeiros mencionados por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos.

Isso mostra o propósito original da obra kardeciana, estabelecendo um conjunto de valores científicos, filosóficos e morais expostos ao debate mas não a uma crença passiva e subordinada.

Infelizmente, no Brasil, há tanta deturpação que até uma parcela dos críticos deste processo de desfiguração da obra kardeciana há muita gente equivocada.

Há os que acreditam na "igreja do padre Kardec", achando que o pedagogo francês lançou ideias acabadas, que dispensassem análise e estudo.

Outros, em maior quantidade, acham que se pode recuperar as bases espíritas originais mantendo os deturpadores no seu pedestal.

Fala-se deturpadores supostos médiuns como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

Pois é bom deixar claro que Chico Xavier e Divaldo Franco deturparam com gosto o legado kardeciano.

Não fizeram isso por "ignorância" ou "boa-fé", porque, se fosse este o caso, eles não teriam despejado a deturpação em centenas de livros ou palestras.

A "filosofia" que muitos chiquistas e divaldistas atribuem a seus ídolos religiosos é, na verdade, uma ideologia que nada tem de filosófica.

A Filosofia, mesmo com longos livros, procura expor ideias com clareza e argumentos lógicos.

O que Chico e Divaldo fazem é um engodo confuso de textos rebuscados e ideias truncadas.

Nem sequer para personificar correntes filosóficas obsoletas servem, porque estas, ao menos, tinham seus sistemas de ideias organizados com um discurso de coerência.

As ideias de Chico e Divaldo só são "coerentes" para os olhos dos enfeitiçados pelas paixões religiosas.

O que eles fazem é a forma moderna de "sofisma", prática reprovada pelo filósofo Sócrates.

Os sofistas eram retóricos sem compromisso com a verdade, e que se achavam com a posse do saber.

Faziam um discurso aparentemente sofisticado, mas cheio de ideias truncadas.

Era o malabarismo de belas e ilustres palavras, que deslumbrava os ignorantes.

Como todo pretenso saber, é um produto servido pronto, para o qual não cabe contestação.

E é isso que Chico e Divaldo ofereceram, com o acréscimo do ingrediente religioso, herdado do Catolicismo medieval.

O Catolicismo da Idade Média foi introduzido no Brasil pela Companhia de Jesus, através de um projeto de catequização praticado pelos padres jesuítas.

O "espiritismo" brasileiro optou por ser uma recuperação das bases religiosas jesuítas.

E, no pacote, pegou até a Teologia do Sofrimento, que define as desgraças humanas como "atalho" para as "bênçãos divinas".

Um igrejismo mofado foi transmitido e muitos acreditam ser espiritismo.

Basta jogar palavras como "fraternidade", "amor" e "caridade" soltas ao vento para todo mundo aceitar qualquer absurdo como se fosse "postulados kardecianos originais".

As pessoas nem raciocinam. Qualquer um que diga, entre tantas bobagens, algo como "somos todos irmãos" é tido como "esclarecedor".

Aí se inserem ideias contrárias ao pensamento lúcido de Kardec e muitos aceitam.

Devido à conformação e tantas condescendências, os brasileiros estão botando o Brasil a perder.

Agora, com a terceirização do mercado de trabalho, as pessoas vão animadas para uma nova realidade em que o emprego será precarizado em todos os aspectos.

Ah, mas a suposta "filosofia" do "espiritismo" brasileiro dá uma forcinha: "diante da crise, não reclame, trabalhe".

Emmanuel? Pode ser, mas tal ideia veio de Michel Temer.

E assim a vida vai degradando aos poucos, porque se atribui "sabedoria" aos sofistas de hoje.

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