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"Espiritismo" faz pais esperarem demais dos filhos

(Por Demétrio Correia)

Conservador, o "espiritismo" brasileiro prioriza demais a hierarquia social, conforme padrões de dominação e obediência.

Isso influi nas relações familiares e não raro o "espiritismo" estabelece seu foco principal no público mais velho.

Trata-se de uma distorção de um ensinamento kardeciano sobre honrar o pai e a mãe.

Evidentemente, o respeito humano e a colaboração dos filhos são necessários, e os pais - descontando os casos de pais com desequilíbrios morais diversos - merecedores disso.

Mas isso não significa subordinação e subjugação aos desígnios paternais.

Até Jesus de Nazaré mostrou aspectos de desobediência aos pais.

Em uma conhecida passagem do Novo Testamento, Jesus, ainda pré-adolescente, fugiu da companhia dos pais e foi falar com um grupo de acadêmicos.

Ele deixou de ser carpinteiro para, como andarilho, estabelecer uma campanha de esclarecimentos diversos, em cada residência onde se hospedava.

Conta-se que Jesus fazia muitas críticas aos arbítrios do Império Romano, o que lhe valeu a condenação na cruz.

Lembrando que o famoso julgamento de Pôncio Pilatos é pura ficção. Não há registros históricos sobre tal ocorrência e a lógica do Império Romano é condenar pessoas de forma rápida e rasteira.

O Jesus que a maioria da humanidade hoje conhece é meramente uma distorção medieval, inventada pelo Catolicismo e copiada por demais religiões.

Ele nunca teve coisa alguma de "senhor dos exércitos" mas também não era subserviente.

No "espiritismo", tornando-se cada vez mais o Catolicismo medieval redivivo, a imagem de Jesus torna-se, embora afável, bastante conservadora.

E isso influi em muitas famílias, cujos pais quase sempre criam expectativas exageradas de seus filhos.

Os filhos são vistos como "super-heróis" que não podem sequer ficarem tristes, quanto mais deprimidos.

Não raro, os filhos são vítimas de tragédias, devido às energias confusas do "espiritismo" que pressionam demais os jovens e não raro ceifam quem deveria renovar a humanidade.

Isso pode ter muito a ver com o fetiche de Chico Xavier por mortos prematuros, embora também seja alusão à mitificação do próprio Jesus, ele mesmo um morto precoce.

Oficialmente Jesus teria falecido na cruz aos 33 anos, mas indícios históricos supõem que ele teria, na verdade, morrido aos 39 anos de idade. 

Tais fontes também dizem que Jesus teria nascido não em dezembro, mas em abril, provavelmente em 5 a.C (curioso Jesus nascer cinco anos antes de Cristo).

Voltando ao "espiritismo", os pais criam tantas expectativas que exigem demais dos filhos.

Se os pais decidem fazer uma faxina em casa num dia de feriado e sobrecarregam seu trabalho, eles exigem dos filhos uma colaboração intensa.

Os pais deveriam abrir mão de tanta trabalheira, mas aumentam a sobrecarga e ainda reclamam do fato de que os filhos não recorrem previamente à tarefa.

Em muitos casos, os pais têm tantos desejos e perspectivas sobre seus filhos que se confundem.

Não sabem se seus filhos devem trabalhar em casa, ajudando os próprios pais, ou se devem arrumar um emprego.

Os pais sonham até com a vida amorosa dos filhos, querendo rapazes empreendedores e sisudos para suas filhas ou moças insossas, beatas e culturalmente cafonas para seus filhos.

O excesso de expectativa acaba dificultando a emancipação dos filhos, que não podem revelar aos próprios pais suas ambições para que os pais não as tomem para si e façam pressão.

Os filhos também se estressam, se deprimem e precisam ter projetos próprios de vida.

Obedecer demais aos pais e virar veículo para os desejos paternais frustrados em sua juventude, também é equivocado.

E pode ser um risco, na medida em que o filho, virando veículo das vontades de seus pais, não poder também aproveitar sua juventude.

Os pais perderam a juventude obedecendo demais seus respectivos pais.

Querem que os filhos também herdem a mesma obediência extrema, ainda que num contexto mais "moderno".

Serão outras pessoas que perderão a juventude, e que, chegando à meia-idade, manterão consigo muitas pendências juvenis que criam inseguranças, teimosias e neuroses na chegada dos cabelos brancos.

A subserviência filial é um perigo para a vida, porque os pais criam os filhos para lhes entregarem ao mundo, e não para transformar os descendentes nos servos dos pais.

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