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O malabarismo das palavras belas

(Por Demétrio Correia)

Ah, o balé admirável das palavras bonitas.

A coreografia de palavras agradáveis, o malabarismo de mensagens belas, o espetáculo das doces ideias.

Isso é um dos aspectos a que se reduziu o que se entende como Espiritismo no Brasil.

Um Holiday on Ice de "mensagens de amor", um Balé Bolshoi das lindas palavras.

Um discurso enfeitado, adocicado e florido, que na verdade não traz conhecimento algum.

Palestrantes sorridentes falando muito sobre nada, apenas cumprindo sua missão de pregação igrejista.

Isso é muito diferente do que Allan Kardec propôs.

Ele não queria saber de balé de palavras.

Era homem sério, voltado para a educação e, como Codificador, nunca deixou sua tarefa de pedagogo de lado, antes a adaptando para o novo contexto.

Nem sempre o que Kardec dizia era agradável.

Ele falava em paz e fraternidade, sim, mas não baixava a cabeça diante de conflitos e contradições.

Ele nunca pregaria a Teologia do Sofrimento que hoje é praticamente a base do "movimento espírita".

A deturpação do Espiritismo, no Brasil, chegou-se a esse nível vergonhoso do igrejismo.

Chegou-se ao ponto dos "espíritas" estarem mais próximos do imperador romano Constantino do que de Allan Kardec.

Mais próximos do Catolicismo jesuíta do Brasil-colônia do que do Espiritismo francês original.

E mais próximos da Teologia do Sofrimento do que do Iluminismo que inspirou Kardec.

Tantas palavras enfeitadas, difundidas por risonhos palestrantes "espíritas", certos de ter o passaporte para o Céu reservado para eles e confiantes em receber a chave para o salão da Verdade Final.

Quanta ilusão.

O "espiritismo" brasileiro há muito se distanciou de Allan Kardec.

E, mais uma vez, promete "aprender melhor" os livros do pedagogo francês, uma promessa de quatro décadas que não deu em coisa alguma.

Sempre prometem "entender melhor Kardec".

Mas depois esquecem, praticam igrejismo e vivem do balé de palavras bonitas.

Aí quando se fala que o "espiritismo" brasileiro está em crise, eles ainda choram.

Quanta incoerência escondida em palavras tão dóceis como "amor" e "caridade"...

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