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Quando se fala demais em "amor", é bom desconfiar

(Por Demétrio Correia)

Ninguém desconfiou de que o "movimento espírita" fala demais em "amor", "bondade", "caridade" e tantas coisas belas?

Ninguém estranhou as melodias melífluas das sessões "espíritas"?

Ou a emotividade fácil, as estórias feitas para produzir lágrimas com frequência, tal como contos de fadas para adultos?

Ninguém estranhou essa "overdose de amor" que se produz nas atividades e eventos "espíritas"?

Ah, quanto açúcar de palavras e imagens, de ritos e discursos!

Fora da metáfora, o açúcar em excesso provoca diabetes, levando o doente à cegueira, às complicações das gestantes na gravidez e até a necessidade de amputação de um membro, braço ou perna.

Mas, dentro da metáfora, ninguém presta atenção no excesso de açúcar das palavras e imagens.

No exterior, fala-se em pieguice, que é a "beleza demais" que enjoa.

Aqui é que as pessoas têm mania de relativizar: "que mal tem em ser piegas? Sou piegas sem ter vergonha. Sou piegas com muito orgulho".

E sabemos que, no "espiritismo" brasileiro, igrejista e deturpado, apegado em Kardec no discurso, mas desquitado dele na prática, as palavras diabéticas são um artifício perigoso.

Por trás de todo esse ambiente de beleza e bons sentimentos, há a intenção de trair os ensinamentos de Allan Kardec com devaneios igrejistas e até moralistas.

Defende-se o sofrimento alheio sob a desculpa de uma vida espiritual futura, da qual, no fundo, não se tem a menor ideia do que se trata.

Não se tem, mas os "espíritas" logo arranjaram de criar um "mundo espiritual" de acordo com suas paixões materialistas, o que mostra o quanto nossos "espíritas" são tão apegados à matéria.

Enquanto pouco se cuidam com o desperdício da encarnação presente, seja pela morte prematura ou pelas desgraças prolongadas, sonham com um "além-túmulo" conforme seus devaneios materiais.

Nosso Lar, a fictícia colônia espiritual, é uma ilustração disso, concebida como nas propagandas de condomínios de luxo que a gente lê nos classificados.

Aí os "espíritas" se tornam mais desumanos, insensíveis ao sofrimento alheio.

E com seu balé de palavras caem em contradição, como é de praxe.

No primeiro momento, suplicam para os sofredores "amarem suas próprias desgraças", sob a desculpa de atrair "bênçãos futuras".

No segundo momento, desmentem que estivessem defendendo o sofrimento, apenas dizendo que as "dificuldades extremas" são apenas "desafios e aprendizado".

No terceiro momento, tentam argumentar que a pessoa, mesmo nessas situações, pode "cultivar a esperança" e "ser feliz".

Falar é muito, muito fácil. Os "espíritas" não sofrem as desgraças dos sofredores.

Eles ficam no seu açúcar das palavras e de todo um jogo de cena.

Divaldo Franco chega a ser arrogante na sua pode de "mansuetude", na qual a aparente humildade não consegue esconder um ar de soberba das piores.

O aparato de coisas "belas demais" inspira mais cautela do que adoração, pois raramente a beleza da embalagem equivale à beleza do conteúdo.

Em muitos casos, a embalagem de altíssima beleza traz um conteúdo feio, perigoso, apodrecido.

Pessoas de beleza física exemplar são, salvo honrosas exceções, fúteis, traiçoeiras e até estúpidas.

Os animais mais agressivos são os que parecem mais dóceis, como a ariranha.

O baiacu é um peixe que parece inofensivo, mas é altamente venenoso.

A mancenilheira é uma árvore bonita, e sua fruta é deliciosa e parece uma maçã. Mas a árvore é venenosa a ponto de ser proibido tocar nela e as frutas causam danos no organismo que geram a morte.

O "espiritismo", pela sua estrutura confusa e contraditória, misturando igrejismo com pedantismo científico e bajulações a Kardec, atraiu energias negativas de espíritos mistificadores e brincalhões.

Isso ocorre de tal forma que doutrinárias e tratamentos espirituais são fontes perigosas de muito azar e infortúnios.

Quantas pessoas recorreram devotamente ao deturpador Chico Xavier e, depois, viram seus entes queridos morrerem do nada?

Quantas pessoas saíram felizes de doutrinárias e depois eram elas que os ladrões cismavam em assaltar?

Quantas pessoas fazem tratamento espiritual para atrair pessoas traiçoeiras ou fúteis ou serem vítimas de humilhações das mais cruéis?

Os "espíritas" ficam assustados com essas constatações e acham elas "injustas".

Mas, fazer o quê? O "espiritismo", pela sua estrutura cheia de contradições e dissimulações, é, sim, um depósito de energias maléficas e altamente nocivas.

Pode não ser culpa de todos os envolvidos, mas das lideranças que estabelecem um padrão confuso e contraditório de "doutrina espírita".

Com espetáculos de "mensagens mediúnicas" que se equiparam aos recreios fúteis das "mesas girantes".

E todo esse perigo pega qualquer um de surpresa, depois de um maravilhoso balé de imagens e palavras das mais bonitas.

É preciso um pouco mais de vigilância, coisa que as pessoas que entram em contato com o "espiritismo" não tem.

Ainda se vê, até mesmo, críticos da deturpação achando estas análises desta postagem um "exagero".

Eles se prendem apenas a exemplos dados por Allan Kardec e José Herculano Pires sobre a deturpação da Doutrina Espírita e não vão além, observando novos problemas.

E ainda dão consideração aos deturpadores Chico Xavier e Divaldo Franco.

O Brasil precisa largar esta diabete e verificar as coisas ao mais absoluto rigor da lógica e da razão.

Não somos nós que falamos isso. Está na obra de Allan Kardec.

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