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"Espiritismo" não virou um Catolicismo envergonhado?

(Por Demétrio Correia)

O "espiritismo" brasileiro se afastou de Allan Kardec.

Evoca seu nome milhares de vezes, mas isso é em vão.

A prática do igrejismo extremado e entusiasmado faz do "espiritismo" uma versão enrustida do Catolicismo.

E, pior: o "espiritismo" virou a lixeira da Igreja Católica, na medida em que esta se desfez de muitos conceitos e dogmas medievais.

O Catolicismo continua com seus mitos e fantasias, mas já melhorou muito nos últimos anos.

Pôde acompanhar as evoluções e transformações da sociedade brasileira.

O "espiritismo" brasileiro, não.

Calcado em reciclar o Catolicismo jesuíta português, de orientação medieval, o "espiritismo" virou até exílio de católicos não-praticantes.

É gente com preguiça de fazer a ginástica habitual das missas de fins de semana e feriados.

Ver que o senta-e-levanta é desculpa para as pessoas professarem seu Catolicismo não em missas católicas, mas em atividades "espíritas", é algo mais comum do que se pensa.

E o que se vê é um igrejismo bem mais entusiasmado entre os "espíritas".

E, principalmente, em Divaldo Franco.

Ele, que posa tanto de "intelectual" e "cientista", com seu ar professoral, com sua verborragia, com sua pretensa erudição e sua suposição de ter respostas prontas para tudo, sempre foi um igrejista beato.

Sua pose intelectualoide não o faz ser um discípulo genuíno de Allan Kardec, muito pelo contrário.

Pior é o traidor que alega fidelidade absoluta ao traído, pois que mente com a boca e esconde o que sente no coração.

Que malandragem a de transformar o Espiritismo numa doutrina igrejista, num Catolicismo à paisana e sem as formalidades católicas originais!

Isso é desonestidade doutrinária. E o pessoal bajulando Kardec, Jesus, Erasto, Zilda Arns, Martin Luther King, até mesmo o ateu Stephen Hawking, que só os tolos veem como "primo distante de Chico Xavier".

Quanto engodo escondendo o igrejismo com pedantismo científico.

Quanta fé cega e cheia de fantasias absurdas, camufladas pelo malabarismo desesperado dos argumentos persuasivos, da ginástica intelectual de explicar o inexplicável.

Quantas mentiras defendidas como se fossem verdades absolutas!

Quanto juízo de valor, quanto fingimento, quanta dissimulação, quanto disse-e-não-disse, quantas contradições!

O "espiritismo" brasileiro encontra-se em séria crise por tantas manobras falseadoras, tanta desonestidade que os "espíritas" fazem consigo mesmos.

De que adianta romper com o Catolicismo e acusá-lo de medieval se o medievalismo está ali, dentro das obras "espíritas", de Chico Xavier e Divaldo Franco?

Tudo foi aproveitado do igrejismo católico: água fluidificada (água benta), doutrinária (missa), auxílio fraterno (confessionário), palestra (sermão) etc etc etc.

Em muitos casos, os "espíritas" parecem mais católicos do que os católicos, carregando demais nas comoções, fazendo qualquer beatitude católica parecer fichinha.

O "espiritismo" brasileiro é um Catolicismo envergonhado.

Mas, como doutrina derivada do Espiritismo francês original, o "espiritismo" é que é uma vergonha.

Com toda a certeza, Kardec ficaria envergonhado ao ver o que os brasileiros fizeram com seu legado.

Os "espíritas" traem Kardec e depois vão escrever toneladas de textos lhe alegando "fidelidade absoluta".

Com todo o igrejismo que professam.

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