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"Espiritismo" paga caro demais por suas más escolhas

(Por Demétrio Correia)

Agrava-se a crise no "movimento espírita", perdido em tantas contradições.

Desde que adotou a "fase dúbia", num suposto equilíbrio entre Ciência e Religião, caiu em inúmeras contradições.

Seus palestrantes e ídolos se apavoram, mas investem no vitimismo e continuam esperançosos por alguma retratação.

Acham que a "fase dúbia" está acima de tudo, até da Verdade, da Lógica e do Bom Senso, porque imagina ser a síntese de tudo isso.

Acreditam que, pela ilusão da Fé escapar das compreensões da Razão, aquela deva prevalecer sobre esta.

Ainda que absurdos prevaleçam e visões fantasiosas estabeleçam supremacia no imaginário coletivo, joga-se a Razão no lixo e criminaliza-se a amplitude do raciocínio humano, quando este interfere na Fé.

O "espiritismo" sofre uma crise gravíssima, sem precedentes, pelas suas próprias escolhas.

Surgiu preferindo o igrejeiro Jean-Baptiste Roustaing ao pedagogo Allan Kardec, e defendeu o roustanguismo com muito orgulho.

Quando o roustanguismo começou a repercutir mal, até pelas denúncias de seus oposicionistas, ele se tornou mais velado.

E quando o roustanguismo passou a simbolizar os abusos da cúpula da FEB, criou-se uma "fase dúbia" para, em tese, apaziguar os conflitos.

Só que o que vemos é um "roustanguismo sem Roustaing" e com Kardec.

A "fase dúbia" ganhou o nome de "kardecismo", mas o igrejismo roustanguista ficou intato.

A ideia é maquiar as irregularidades com discurso de "amor, caridade, bondade e fraternidade".

Um "kardecismo" que envergonharia Kardec, se viesse ver pessoalmente como se resultou a sua doutrina.

O "espiritismo" de hoje virou um espetáculo de verborragia, uma coreografia de palavras bonitinhas.

Um igrejismo disfarçado de ciência, uma pretensa fraternidade na deturpação.

Afinal, pedem para que sejamos "irmãos" no igrejismo, na deturpação, no misticismo.

Sejamos católicos envergonhados procurando a capa de um livro de Kardec para esconder nossas cabeças em consciência pesada.

Sejamos deturpadores que desprezam os mais caros conselhos de Kardec, e, "fraternos" nesse erro, nos escondemos por trás de crianças pobres e velhos doentes para esconder nossas vaidades.

Sejamos "irmãos" nas contradições a que o "movimento espírita" cai constantemente, e das quais quer continuar mantendo.

Dentro do pacote, se vê pseudossábios, falsos profetas, falsos cristos, gente que contradiz de propósito e depois sai chorando quando recebe críticas pesadas.

Se vê visões fantasiosas, seja criando paraísos no mundo espiritual, supondo datas determinadas para regeneração da humanidade e fazendo juízos de valor supondo encarnações passadas de alguém, sem entender de Doutrina Espírita.

E vamos ser "fraternos" e "perdoar" a desonestidade doutrinária do "movimento espírita" e seus "médiuns" com seu culto à personalidade.

Daí que esses procedimentos do "movimento espírita" recebem muitas críticas, porque mostram muitas irregularidades.

Elas podem ser facilmente observadas se lermos com atenção e sem desleixos emotivos os livros de Allan Kardec.

Se percebermos o que O Livro dos Médiuns diz, fecharemos nossos ouvidos aos "médiuns" que outrora ouvíamos com muito gosto e com lágrimas nos olhos.

Se percebermos o que O Livro dos Médiuns nos alerta, veremos o quanto o "espiritismo" tornou-se uma doutrina aquém ao seu Codificador, por mais que os palestrantes bajulassem o nome de Kardec.

Juntando visões igrejistas, fantasias místicas, materialismo mal disfarçado e deslocado para o além-túmulo (que serve de "abrigo" para os desejos materiais considerados de difícil apreciação na Terra) e mediunidade de faz-de-conta, temos um "espiritismo" praticamente divorciado de Kardec.

Divorciado, não. Digamos desquitado.

Até porque os "espíritas" não querem se divorciar formalmente de Allan Kardec, e pronunciam seu nome de forma abusiva e até extenuante.

Acabam pagando caro pelas suas contradições, e agora tentam explicar seus equívocos com medo de perderem o crédito de outrora.

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