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Delação da Odebrecht: o alto da pirâmide em chamas?

(Por Demétrio Correia)

A delação de ex-executivos da Odebrecht, presos na Operação Lava Jato, revela um quadro delicado.

Mais do que divulgar supostas doações da empreiteira a políticos e outros privilegiados, expõe na carne a corrupção do país.

Os mais diversos políticos, e, em certos casos, até jornalistas, dirigentes esportivos e personalidades do jet-set da alta sociedade são citados.

Políticos do Partido dos Trabalhadores estão na lista, para o prazer sádico de seus opositores.

Mas os tucanos do PSDB e os ministros do governo Michel Temer, além dos próprios aliados, também estão citados na mega-lista do procurador Rodrigo Janot.

A lista depois foi parcialmente aproveitada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para abertura de inquéritos, e assim a "lista do Janot" virou "a lista do Fachin".

Expondo a corrupção política e, em parte, a empresarial, ela mostra um quadro inevitável no Brasil.

A de que o alto da pirâmide social está em chamas.

Pessoas que detém privilégios mostram que não são vulneráveis e que também se mostram cada vez menos capazes de passar por cima de escândalos.

É certo que tem gente envolvida ou não-envolvida acreditando que se salvará do incêndio.

Temos um Paulo Maluf que esnobou seus opositores ao se ver fora das citações dos delatores.

No âmbito da mídia, temos o baiano Mário Kertèsz - que, como prefeito de Salvador, foi fortemente comparado a Maluf - querendo se autopromover com uma entrevista com o ex-presidente Lula.

O dono da Rádio Metrópole tenta arrumar os botes de salva-vidas para tentar se salvar da tsunami que também atingirá grandes corporações midiáticas.

A Metrópole apenas adotou uma postura "não-reacionária" como, nos anos 80, a Folha de São Paulo, a TV Bandeirantes e a revista Isto É adotaram em certas conveniências históricas.

O tempo mostrou que isso foi só estratégia e os veículos midiáticos se tornaram depois brutalmente reacionários, como habitualmente fazem a revista Veja e as Organizações Globo.

E o "espiritismo" nesta? Será que não tem doação da Odebrecht para os "médiuns" dotados de culto à personalidade?

Quem é que paga as viagens de Divaldo Franco? A luz do Sol?

E o carrão esporte de José Medrado, foi ganho pelas forças astrais do cósmico?

Os dois, viajando país afora, Divaldo indo também pelo mundo, fazer palestras para ricos, espalhar a deturpação do Espiritismo, desfiguraro legado trabalhoso de Allan Kardec...

Também não há alguma coisa aí?

Sem arriscar conclusões, sabe-se que o topo da pirâmide está em chamas.

As elites que achavam que podiam tudo estão vendo o cerco se fechar.

Não somente aqueles com o poder do dinheiro, da fama, da toga, do poder político, mas até mesmo do poder religioso que veste a capa da "humildade".

Mas é outro privilégio, pois os ídolos religiosos se julgam portadores da verdade e da palavra final e os únicos que se acham no caminho curto para o Céu.

Já temos pessoas e instituições citadas pelas delações que tentam se salvar da tempestade em andamento.

Rede Globo, o próprio Judiciário, o presidente Michel Temer, por sua imunidade garantida pelo cargo.

A Globo, então, confiante na sua prepotência midiática, acha que está invulnerável.

Foi premiada por ter reinventado o mito de Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier.

Sim. Isso mesmo. Chico Xavier nunca foi mais do que um astro pop inventado pelo antigo presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas e, após sua morte, foi reinventado com a colaboração da Rede Globo.

Eles copiaram o que Malcolm Muggeridge fez com Madre Teresa de Calcutá e o lançaram como paradigma de uma visão espetacularizada e sensacionalista de "caridade".

Uma "caridade" que quase nada ajuda, só promove o "benfeitor", que chega ao ponto de se colocar acima até dos próprios benefícios.

E os "médiuns" dotados de culto à personalidade não falam para os ricos para fazer cobranças, mas para fazer elogios.

Aí fica fácil os "espíritas" se aliarem às elites para fazer lisonjarias enquanto fazem filantropia de fachada, que ajuda muito, muito, muito pouco.

Depois os "espíritas" choram quando se revela que eles também estão no topo da pirâmide social, hoje ardendo em chamas.

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