Como o "espírita" pode reagir à desilusão de seus dogmas?

(Por Demétrio Correia)

É muito mais fácil dizer a uma criança que Papai Noel é uma ficção do que afirmar a um "espírita" que o "médium" Francisco Cândido Xavier nem de longe chega a ser um "espírito de luz".

A criança, quando informada da verdade a respeito de alguma ilusão, chora, pula, grita, se aborrece, se irrita, mas com o tempo se conforma e até vê o lado bom da amarga lição.

O "espírita", não.

Fica chorando, pois o que o "espírita" mais sabe é chorar, e aos soluços.

Fica traumatizado, chocado, dizendo: "Não, não pode ser... Chico não é de luz... Snif!".

Imagine então se disséssemos que Chico Xavier era deturpador do Espiritismo, distorcendo as lições de Kardec ao sabor dos devaneios igrejistas do mineiro, e ainda por cima às custas de pretensas psicografias, que se revelam fraudulentas.

A pessoa vai chorar mais do que quando perde uma família inteira num acidente com um coletivo.

Mas ela não vai ceder.

Em certos casos, irá escrever um livro inventando coisas maravilhosas sobre Chico Xavier e lançar na Internet como um eBook.

Inventa um pseudônimo "espiritual", tipo Antonius, Micaelis, Astolphus ou Marcus Aurélius, e diz que foi uma alma do além-túmulo que fez "revelações sublimes" sobre o "médium".

Tudo ficção. Mas os adultos aceitam como se fosse a realidade objetiva.

Há quem invista em asneiras do tipo: "Livro que alimenta a mente com o Conhecimento expresso em sublimes palavras".

O mercado editorial aceita, porque sempre tem otário querendo comprar uma empulhação destas.

Mas isso é fichinha, se ver como os adultos lidam com as desilusões.

As crianças, tão imaturas, não iriam mover tanques nem armar revólveres contra aqueles que lhes privaram da sobrevida de tantas ilusões.

Como a sociedade adulta não consegue lidar com as desilusões. Nem mesmo os "espíritas".

O Brasil é o paraíso astral da pós-verdade, inventam-se coisas sem nexo nem lógica, mas que viram não apenas "verdades indiscutíveis" como se esforçam para manter uma reputação de quase unanimidade.

O "espírita", que se autoproclama "racional" e "esclarecido", é o mais vulnerável em ilusões e fantasias tão igrejeiras.

O "espírita" não passa de um católico enrustido, um beato envergonhado, que se esconde numa capa de "racionalidade" e "objetividade".

E usa e abusa nas pós-verdades que transformam os aberrantes "médiuns" brasileiros em "deuses".

Quando revelamos que os "médiuns" exercem culto à personalidade, os "espíritas" choram, choram e choram mais ainda.

Ah, quanto os "espíritas" precisam aprender com a vida.

Com pessoas que mergulham na ilusão e que se desiludem, até com certa raiva ou tristeza, mas depois se convencem que foram libertos do afogamento e do naufrágio da fantasia.

Até lá, muitos serão os "espíritas" que cairão da cama depois de sonharem alto demais com seus "médiuns".

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