Religião, Estado e alienação

(Por Professor José do Nazareno, do Blog do Nazareno)

Religião é uma senhora muito charmosa, elegante, atraente e enigmática. 

É casada há muito tempo com o senhor Atraso e com ele tem vários filhos: preconceito, ódio, guerra, racismo, intolerância, exploração e homofobia. 

A senhora Religião sempre foi muito cortejada pelas pessoas, pois durante muito tempo transmitiu a falsa imagem de bonança, caridade, amor e respeito ao próximo. 

Responsável maior por quase todas as desgraças da humanidade, a dissimulada dona Religião já matou, torturou e perseguiu muitos sábios e cientistas que não lhe davam importância.

Toda poderosa, ela já teve tribunais famosos, que julgavam e matavam na fogueira os defensores de outras verdades. Giordano Bruno, Galileu Galilei dentre muitos outros sofreram as “agruras divinas”.

A estranha senhora sempre foi aliada dos mais notórios carrascos da História.

Dizem até que Adolf Hitler, apesar de não ter tido uma relação muito amistosa com ela, sempre explorava cinicamente a amizade dela com as outras pessoas e teria, segundo Richard Dawkins, concordado com Napoleão Bonaparte, que disse: “Religião é ótima para manter as pessoas comuns caladas” e também com Sêneca: “A dona Religião é considerada verdade pelas pessoas comuns, mentira pelos sábios e útil pelos governantes”.

Muito sinistra e hábil, a senhora Religião se associou sem nenhum acanhamento a todos os tipos de governo apenas para continuar a exploração dos mais humildes e desinformados. Importante observar que os seus filhos são instruídos e bem educados enquanto seus seguidores, na maioria dos casos, são idiotas.

Muito gananciosa e voraz, a Religião explora cinicamente os mais pobres prometendo-lhes bonança e riqueza numa terra imaginária a que todos terão acesso, mas só depois da morte. (*)

E por falar em coisas imaginárias, todos os líderes apresentados por ela são seres igualmente imaginários que só povoam a cabeça dos mais incautos e sem leitura de mundo. 

Nietzsche, filósofo, crítico e pensador alemão, tentou em vão combater as maldades dessa inútil senhora. Fracassou e terminou louco e sem muita credibilidade. 

Baruch Spinoza talvez tenha feito a melhor definição dela, mas também teve de viver escondido e no anonimato. 

No Brasil do século XXI, a influência da miserável está em todos os lugares conhecidos, principalmente na política. 

Forte e decidida, influencia os parlamentares que pertencem à Bancada da Bíblia no Congresso.

A desprezível senhora luta com todas as suas forças para acabar com o Estado laico e pela volta vergonhosa dos conceitos da Idade Média dentro de nossa sociedade. 

Aqui, sua influência cresce cada vez mais. Na política é golpista, reacionária, conservadora e rica. 

Acho até que é filiada ao PSDB ou ao PMDB. 

Na sociedade e nos costumes se mete em tudo tentando ditar suas ultrapassadas regras de convivência. Seus filhos estão, claro, a seu serviço e não poupam esforços para manter seus privilégios e também para disseminar sua ideologia segregacionista, má, defasada e obsoleta. 

Com ela e seus parentes e seguidores à frente, o mundo não caminha, não se moderniza e os direitos humanos são sempre desrespeitados.

Um mundo sem Religião seria um lugar muito melhor, é o que muitos afirmam. Basta observar, por exemplo, países como Suécia, Noruega e Japão e compará-los àquelas nações que a seguem obrigatoriamente.

(*) NOTA: Alguém não notou ideia parecida no "espiritismo" brasileiro?

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