"Espiritismo" e os "donos da verdade"

(Por Demétrio Correia)

Tão perturbados estão os "espíritas" diante de tantas críticas que recebem.

Se acham injustiçados por serem acusados de incoerentes e contraditórios.

Aprenderam mal a Doutrina Espírita, ensinam pior ainda, e se gabam de serem os "mais exemplares alunos de Allan Kardec".

Ah, quanta ilusão.

O aparato das belas palavras, das doces oratórias, da suposta filantropia!

Incomodados com o prestígio que pode lhes escapar das mãos, eles acusam os seus críticos de "hipócritas" e "falsos".

Falsos cristos e falsos profetas que são, os "espíritas" evidentemente se acham os "verdadeiros cristos" e "verdadeiros profetas".

Qual é o "falso" que admite ser o "falso"?

O Bom Senso, independente de considerar o prestígio de cada pessoa, reconhece no "falso" a presença de muitas contradições e equívocos.

Não se trata de considerar "verdadeiro" aquele que se protege com belas palavras e aparente mansidão.

Não é "verdadeiro" aquele que se diz "amigo da verdade", mas aquele que apresenta argumentos e práticas com o menor nível de erro possível.

O prestígio religioso e os aplausos em palestras não garante ao orador "espírita" a posse da verdade.

Da mesma forma, isso não garante que ele seja "verdadeiro" só porque pronuncia palavras bonitas como "amor e caridade".

Ah, quantos "espíritas" bajulam Erasto e falam tanto da "urgência de seus avisos".

Esquecem os próprios "espíritas" que eles são alvo das críticas de Erasto.

Ele alertava sobre os deturpadores do Espiritismo, que falavam tanto em "amor e caridade" para esconder ideias inconsistentes.

Isso incluía pregações igrejeiras velhas, conceitos levianos de fantasias materialistas - como as tais "colônias espirituais" - , e tantas outras coisas contrárias aos postulados de Kardec.

E justamente os "espíritas" se dizem "fiéis a Kardec", mesmo praticando igrejismo.

Portanto, é muito triste que os "espíritas", tomados de vaidade, falem tão mal das críticas que recebem, mas bajulam tanto o espírito Erasto.

As críticas que os "espíritas" recebem são justamente inspiradas nos avisos de Erasto contidos principalmente em O Livro dos Médiuns.

Os "espíritas" acabam fazendo o que Jesus de Nazaré tanto reprovava.

Se preocupam com os argueiros nos olhos dos opositores, mas se esquecem das traves de seus próprios olhos.

Se, pelo menos, os "espíritas" assumissem que se identificam com Jean-Baptiste Roustaing, estariam sendo mais sinceros.

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