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A "vaticanização" do Espiritismo e seus falsos críticos

(Por Demétrio Correia)

O "espiritismo" brasileiro, sabemos, é catolicizado.

Sabemos também que suas bases originais repousam na obra de Jean-Baptiste Roustaing e não em Allan Kardec.

Podem seus líderes dizerem o contrário o tempo todo, mas não podem desmentir os fatos.

O "espiritismo" que professam é roustanguista.

Francisco Cândido Xavier adaptou Roustaing à realidade brasileira.

Queiram ou não queiram, Chico Xavier é Jean-Baptiste Roustaing, Jean Baptiste Roustaing é Chico Xavier.

Roustaing queria catolicizar a Doutrina Espírita. Conseguiu parcialmente na França, mas sua obra encontrou maior respaldo no Brasil.

No Brasil, o igrejismo tomou conta do "movimento espírita" por completo.

Mas, com o tempo, a postura passou a ser mais enrustida.

E aí vieram os "cavaleiros da esperança", palestrantes e articulistas que fingem defender os postulados originais de Allan Kardec.

É Orson Peter Carrara citando Erasto, mas se esquecendo que este espírito fazia críticas que encaixam bem no que os ídolos do palestrante, Emmanuel, Chico Xavier e Divaldo Franco, tanto praticam.

É Richard Simonetti mal conseguindo disfarçar seu igrejismo de palavras "otimistas".

Ou Alamar Régis Carvalho se fazendo por crítico da "vaticanização" do Espiritismo.

Alamar falando que "não existem espiritismos, mas um espiritismo, o de Kardec".

O "espiritismo" que todos estes, e mais tantos outros, defendem, é o roustanguista.

É o "espiritismo" da FEB, cuja antiga sede, hoje filial carioca, na decadente Av. Passos, é até hoje chamada de "vaticano espírita".

Se esses palestrantes professam o igrejismo, eles são roustanguistas.

Se todos eles exaltam Chico Xavier e Divaldo Franco, são roustanguistas.

As obras de Chico e Divaldo são roustanguistas. Isso está claro e explícito.

Roustaing queria vaticanizar o Espiritismo.

Roustaing queria promover uma "religião ecumênica" que se evoluísse do Catolicismo.

Em entrevista ao Pinga Fogo, da TV Tupi de São Paulo, Chico Xavier exaltou o poder da Igreja Católica e recomendou respeito e devoção a ela.

Isso é Kardec? De jeito nenhum! Isso é Roustaing!

Há quem diga que Roustaing havia reencarnado em Alziro Zarur, da Legião da Boa Vontade.

A LBV, "independente", no entanto teve muita simpatia por Chico Xavier e, com as radionovelas "espíritas", ajudou a propagar o mito do "médium", que quase foi derrubado pelo caso Humberto de Campos.

Se o "espiritismo" é igrejista, ele é roustanguista.

O legado de Roustaing foi inserido na obra de Chico Xavier. Isto não é suposição, é fato, e está comprovado pelo conteúdo de seus livros.

Não adianta chorar, achar que Roustaing é um monstro usado para caluniar e acusar indevidamente os "amáveis espíritas".

O religiosismo "espírita" é claramente herdado de Roustaing. Não adianta escapar.

Fingir que está respeitando rigorosamente e praticando fidelidade absoluta ao legado de Allan Kardec é fácil, tendo em mãos traduções deturpadas como as da FEB e IDE.

Divaldo Franco fingindo que está lendo um original em francês da obra de Kardec é fácil. Só falta ter feito uma selfie com o livro.

Mas assumir o roustanguismo, isso é tarefa dura.

É como o governo Michel Temer assumir a herança do deputado Eduardo Cunha.

As "pautas-bombas" do ex-deputado estão todas no projeto político de Michel Temer.

Fingir que isso não existe é fácil, como é muito fácil herdar as ideias retrógradas e descartar depois seu idealizador.

Assim não há como atribuir a menor sinceridade.

O "espiritismo" brasileiro diz uma coisa e faz outra. E diz uma coisa e depois diz outra.

Se assumisse o roustanguismo e a vaticanização, o "espiritismo" não melhoraria, mas teria pelo menos um pingo de honestidade com isso.

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